O Zoológico Municipal de Curitiba completa 44 anos de existência neste sábado, 28 de março, consolidando-se como uma das principais unidades de conservação ambiental da capital paranaense. Ao longo de mais de quatro décadas, o espaço tem acumulado avanços importantes, como o nascimento de filhotes e a participação ativa em iniciativas voltadas à preservação de espécies ameaçadas.
Atualmente, o zoológico integra 22 programas oficiais de conservação de espécies ameaçadas ou quase ameaçadas. De acordo com o diretor de Pesquisa e Conservação da Fauna, Edson Evaristo, a instituição mantém, desde sua criação, colaboração constante com programas de pesquisa e conservação em âmbito nacional e internacional.
Um marco importante ocorreu em 2018, quando foi firmado um acordo de cooperação entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e a Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil, com foco na conservação ex-situ — ou seja, fora do habitat natural — de 25 espécies ameaçadas. No mesmo ano, o zoológico passou a integrar inicialmente programas voltados à preservação de oito espécies, número que foi ampliado para dez em 2020.
Ainda a partir de 2020, a unidade passou a participar de programas de conservação ex-situ relacionados a mais nove espécies vinculadas aos Planos de Ação Nacional (PANs) do ICMBio, somando presença em 19 planos nacionais. O trabalho também inclui participação em programas internacionais de conservação de primatas ameaçados, como o mico-leão-de-cara-dourada, o mico-leão-dourado e o mico-leão-preto.
Entre os animais presentes no zoológico estão diversas espécies ameaçadas de extinção. Nos recintos, é possível encontrar mamíferos como o muriqui-do-sul, macaco-aranha-da-testa-branca, onça-pintada, puma, lobo-guará e tamanduá-bandeira. Já entre as aves, destacam-se espécies como a ararajuba, papagaios de diferentes regiões do Brasil, arara-azul-grande, jacutinga, mutum-do-sudeste, além de aves de grande porte como a harpia.
O zoológico também participa de programas de reintrodução de espécies na natureza. Em parceria com o Instituto Espaço Silvestre de Santa Catarina, já foram enviados 11 papagaios-de-peito-roxo, nascidos na instituição, para soltura no Parque Nacional das Araucárias, contribuindo diretamente para a recuperação da espécie.
Nos últimos anos, a Prefeitura de Curitiba realizou investimentos em infraestrutura para melhorar o bem-estar dos animais e fortalecer os programas de conservação. Entre as melhorias estão a construção de um novo setor para grandes felinos, onde um casal de onças-pintadas passa por processo de aproximação, além de novos recintos para harpias e para a formação de um grupo reprodutivo de muriquis-do-sul.
Atualmente, o zoológico abriga mais de 1,8 mil animais distribuídos em uma área de cerca de 589 mil metros quadrados, com aproximadamente 165 recintos. A maior parte dos animais — mais de 70% — é oriunda de situações de intervenção humana, como apreensões, tráfico, circos e casos de maus-tratos, o que impossibilita o retorno à natureza. Esses animais são encaminhados pelo Centro de Apoio à Fauna Silvestre (Cafs) e recebem cuidados permanentes na unidade localizada no bairro Alto Boqueirão.
Aberto ao público de terça a domingo, das 10h às 16h, o Zoológico Municipal de Curitiba tem entrada gratuita e permanece fechado às segundas-feiras para manutenção. O endereço é Rua João Micheletto, 1.500, no Alto Boqueirão.



