Desde 2007, a Zombie Walk avança pelas ruas de Curitiba como um cataclismo cuidadosamente organizado. O que era um movimento de contracultura, inspirado nas primeiras marchas de mortos-vivos em Toronto (2003) e Milwaukee (2000), se tornou um dos eventos mais prestigiados do Carnaval curitibano. E, curiosamente, um dos mais vivos.
Em 2026, a horda saiu novamente às ruas, provando que, se zumbis existem, eles têm excelente agenda cultural. Famílias inteiras, artistas, turistas e amigos desfilaram suas maquiagens impecavelmente grotescas, enquanto barracas temáticas transformavam rostos comuns em criaturas dignas de um clássico B como Night of the Living Dead, só que com mais glitter e melhor iluminação.
Teve carros temáticos como o Zombinator e o Destruction Blazer, cães fantasiados desfilando com mais postura que muito figurante de The Return of the Living Dead, e um coletivo de cosplay onde mortos-vivos dividiam espaço com astros do rock, personagens de quadrinhos e criaturas que provavelmente escaparam de algum roteiro rejeitado por excesso de criatividade.
Na Boca Maldita, o DJ Fabian Munster comandou a dança macabra, mas solidária. Entre uma coreografia cambaleante e outra, o público entregava doações ao Asilo São Vicente de Paulo, provando que até no apocalipse há espaço para empatia. Os zumbis podem querer cérebros, mas os curitibanos entregam coração.
Na área de concentração, na Praça Osório, a estreia da Z-Maze levou os participantes a um labirinto do terror com cenários, sons e personagens que fariam qualquer fã de Evil Dead sorrir com aprovação funesta. Foi um medo performático, cuidadosamente coreografado para selfies e risadas.
A caminhada terminou na Praça Santos Andrade, onde as bandas Conexão Capivara, Necrotério, Alice e o Raio, Cat Storm e Bruiser incendiaram o palco, culminando em um tributo à Misfits. ALLDKV fechou a maratona com seu rap alternativo, enquanto a Disco Dance Company ressuscitava Thriller, porque nenhum evento de mortos-vivos resiste a Thriller.
No fim, ficou evidente que os mortos-vivos continuam sendo uma ameaça fictícia, mas a alegria coletiva é perigosamente real. Parabéns à organização por mais uma edição histórica, criativa e solidária. Que venha 2027. Afinal, se for para enfrentar o apocalipse, que seja com humor.




