Violinista Winston Ramalho enfrenta desafio do Concerto para Violino de Tchaikovsky e conquista reconhecimento internacional
Winston Ramalho, um dos violinistas brasileiros mais destacados da atualidade, iniciou sua jornada musical aos oito anos e, desde então, já percorreu um caminho de muito esforço e dedicação. Aos 14 anos, ele encarou seu primeiro grande desafio com o violino: o Concerto para Violino e Orquestra em Ré Maior, Op. 35, de Tchaikovsky, peça considerada complexa até para músicos experientes.
Apesar das dificuldades iniciais, Winston não desistiu da obra que quase o fez desistir da carreira. Hoje, ele sobe aos palcos como diretor musical e solista da Orquestra de Câmara de Curitiba, interpretando justamente esse concerto que marcou sua trajetória.
De acordo com informações divulgadas por Franco Iacomini, o violinista se apresenta no Festival Tchaikovsky com ingressos esgotados e ainda promove um ensaio aberto para o público, promovendo a difusão da música clássica na capital paranaense.
Escolha do violino e início da carreira musical
O interesse de Winston pela música surgiu por influência da família desde a infância, quando desejava ser maestro. Ao questionar o pai sobre qual instrumento aprender, ele optou pelo violino por uma razão prática: “O piano era muito pesado se precisasse carregar, violino dá para carregar na rua, e se alguém quiser me assaltar dá para me defender com o arco”, brinca o músico.
Logo cedo, Winston participou de concursos e estudou com grandes mestres, como Marco Damm e Elisa Fukuda, aprimorando sua técnica e desenvolvendo um talento reconhecido. Sua carreira ganhou uma dimensão internacional após longos 12 anos estudando e tocando nos Estados Unidos e na Áustria.
Superando o medo do concerto de Tchaikovsky
Aos 14 anos, ao iniciar os ensaios do Concerto para Violino e Orquestra de Tchaikovsky, Winston enfrentou enormes dificuldades técnicas. Ele mesmo admite que foi “um grande erro”, pois ainda não tinha a técnica necessária para executar a peça sem sofrimento.
Apesar desse começo complexo, ele não abandonou o concerto, reapresentando-o diversas vezes ao longo da sua carreira. Em 2017, teve a oportunidade de ser solista na peça, afirmando que “esse concerto sempre é um desafio, mas também é uma grande fonte de alegria”.
O concerto exige um virtuosismo extremo e muitas notas rápidas, características que impressionam mesmo músicos experientes. Winston destaca que a melodia é linda e que essa obra é fundamental para aproximar novos públicos da música clássica.
Reconhecimento e agenda cultural
Atualmente, Winston Ramalho é o spalla, ou líder da seção de cordas, da Camerata Antiqua de Curitiba, posição que ocupa há 12 anos. Além de tocar em renomados palcos internacionais, como o Barbican Hall em Londres e a Musikverein em Viena, ele tem ajudado a impulsionar a cena cultural local.
O Festival Tchaikovsky, com apresentações na Capela Santa Maria nos dias 17 e 18 de abril, teve os ingressos esgotados rapidamente. Devido à alta demanda, um ensaio aberto com entrada gratuita foi organizado para a manhã do dia 17, visando ampliar o acesso do público às obras clássicas.
Além do festival, a Camerata Antiqua mantém uma programação intensa, inclusive com a apresentação da Carmina Burana, de Carl Orff, e concertos temáticos em abril e maio, incentivando a apreciação da música clássica em Curitiba.
Pressão e desafios pessoais no palco
Para Winston, tocar o concerto de Tchaikovsky implica não apenas dominar a técnica, mas também lidar com a pressão. Ele comenta que subir ao palco com essa obra traz um componente extra de ansiedade, pois há o receio de que alguém critique: “Pô, 30 anos ensaiando e ainda não aprendeu o concerto!”.
Mesmo assim, esse desafio o motiva e é fonte de grande satisfação, consolidando-o como um dos principais violinistas brasileiros em atividade, com reconhecimento nacional e internacional.






