História do bairro Umbará revela a força da vida do campo em meio ao crescimento urbano de Curitiba
O bairro Umbará, segundo maior em extensão na capital paranaense, mantém viva a memória da sua origem rural, marcada pela agricultura e pela cultura da erva-mate. Situado em uma área de 22,47 km² com 21.990 habitantes, o bairro conserva tradições que remontam ao século 19, quando as barricarias fabricavam barris para armazenar erva-mate, atividade econômica central daquela época.
Além do trabalho na roça, muitas famílias lidavam com o cultivo, a criação de animais, a produção de uvas e vinhos caseiros, formando uma comunidade unida e resiliente, apesar das difíceis condições de vida. A história do bairro é contada por moradores que, com décadas de vivência, lembram desde a vida no barro até momentos de alegria e fé.
Conforme relato do historiador Marcos Afonso Zanon e memórias dos moradores, a origem do nome Umbará vem do tupi e está ligada a pequenas frutas vermelhas silvestres, não devidos a um ditado popular que associa a palavra com o barro predominante na região.
Trabalho, cultura e resistência na origem do bairro Umbará
Nos primórdios do Umbará, o cotidiano era intenso. As famílias se dedicavam à lavoura, à criação de vacas, coleta de ovos e à fabricação de barris para a erva-mate, que vivia um auge econômico no Paraná. Dona Brígida Moletta, moradora de 97 anos, lembra a convivência com um bugio domesticado e a dificuldade para comprar um simples vestido de noiva, com uma caminhada de 12 km até o bairro Portão para encontrar lojas e serviços.
Sem eletricidade e com ruas de barro, as comunidades mantinham-se unidas para enfrentar e superar as adversidades. As famílias se ajudavam nas colheitas e nas festas, muitas vezes promovidas após as tarefas agrícolas. O historiador Marcos Zanon destaca que os primeiros moradores brasileiros, italianos e poloneses foram essenciais para a consolidação da economia local e para a cultura do bairro.
A fé, a cerâmica e a construção comunitária no coração do Umbará
A devoção dos moradores também marcou o crescimento do bairro. Dona Bronislava Wosniak mudou-se para mais perto da Igreja São Pedro do Umbará, um símbolo da comunidade, para facilitar sua participação nas missas. Seu marido, carpinteiro, criou uma carroça para o trajeto em meio ao barro, segredo para permanecer fiel à fé católica mesmo diante das dificuldades.
A cerâmica também surgiu como um importante negócio local. A família Wosniak, pioneira na olaria, trabalhou com habilidade para oferecer produtos que hoje estão presentes em prédios famosos, como o Banco Central e restaurantes renomados. Daniel Wosniak, descendente da família ceramista, revela o esforço contínuo e as mudanças do mercado que desafiam a produção artesanal.
Memórias e tradições que resistem ao tempo no Umbará
Moradores como dona Maria de Lourdes Pelanda, de 91 anos, simbolizam o amor pelo bairro e a dedicação à comunidade. Ela era referência no bairro para aplicação de injeções e cuidados em funerais, uma responsabilidade reconhecida por todos. A senhora destaca a transformação da região, que hoje conta com asfalto e iluminação, diferenciando-se do passado em que o barro e a distância isolavam os moradores.
Apesar de as tradições agrícolas em grande escala terem diminuído, ainda há exemplos vivos, como as parreiras de uva cultivadas pela família Moletta, que chegam a produzir cerca de 900 quilos para a produção de vinho caseiro, unindo passado e presente em celebração à vida rural na cidade.
A história do Umbará, consolidada ao longo de gerações e apoiada na união das famílias, revela uma Curitiba onde o campo e a cidade convivem em equilíbrio, preservando cultura, trabalho e memórias que engrandecem o carinho dos moradores pelo bairro.


