Vereadora do PSOL propõe lavanderias públicas gratuitas em Curitiba

Foto: Mayara Vita/MDS

A Câmara Municipal de Curitiba (CMC) analisa um projeto de lei que propõe a criação da Política de Lavanderias Públicas Coletivas na capital paranaense. A iniciativa tem como objetivo reduzir a sobrecarga do trabalho doméstico não remunerado e incentivar a socialização de tarefas tradicionalmente concentradas dentro dos lares.

A proposta é de autoria da vereadora Professora Angela (PSOL), que argumenta que a implantação de lavanderias públicas gratuitas pode contribuir para diminuir desigualdades de gênero e de classe. Segundo a parlamentar, a medida busca oferecer suporte especialmente às mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica, permitindo que parte do tempo atualmente dedicado ao trabalho doméstico seja direcionado a outras atividades.

De acordo com o projeto, a política pública tem como diretrizes promover autonomia e bem-estar, além de ampliar o acesso a equipamentos de higiene e saneamento. A proposta também prevê que as unidades sejam instaladas, preferencialmente, próximas a terminais de transporte coletivo, aos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e aos Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) de Curitiba.

Na justificativa do texto, a autora afirma que a ausência de máquinas de lavar automáticas em muitos domicílios de regiões periféricas obriga mulheres a realizarem lavagens manuais prolongadas, o que pode gerar problemas de saúde e limitar oportunidades de qualificação profissional. A proposta também menciona o conceito de “pobreza de tempo”, termo utilizado na sociologia para descrever a situação em que o excesso de tarefas domésticas reduz o tempo disponível para estudo, trabalho e lazer.

Ainda conforme a justificativa, mulheres costumam dedicar, em média, o dobro do tempo dos homens às atividades domésticas. Nesse contexto, a implantação de lavanderias coletivas seria uma forma de redistribuir essa carga de trabalho e permitir que o tempo antes gasto na lavagem manual de roupas seja direcionado a outras atividades.

O projeto também aponta que a falta de infraestrutura pública de lavanderia faz com que famílias de baixa renda gastem horas em trabalho manual ou precisem investir em equipamentos domésticos de alto custo energético, o que pode comprometer o orçamento familiar e dificultar a inserção no mercado de trabalho e na educação.

A proposta tem como público-alvo mulheres e famílias identificadas pelo Índice de Vulnerabilidade Social (IVS). A ideia é transformar a lavagem de roupas em um serviço público compartilhado, ampliando as condições para qualificação profissional e participação social.

Segundo a justificativa apresentada, a proposta foi elaborada no formato de uma política de diretrizes, sem criar obrigações imediatas ao Poder Executivo. Ainda assim, a autora apresentou uma estimativa de impacto financeiro para eventual implementação da iniciativa.

O custo inicial estimado para implantação de cada unidade é de cerca de R$ 120 mil, valor destinado à aquisição de máquinas industriais e à adaptação de espaços públicos. A manutenção mensal prevista é de aproximadamente R$ 6,5 mil, incluindo despesas com água, energia elétrica, insumos e monitoramento das unidades.

O serviço seria oferecido gratuitamente aos usuários e poderia contar com parcerias com micro e pequenas empresas para fornecimento de insumos e manutenção. Caso o projeto seja aprovado pelos vereadores e sancionado pelo prefeito, a lei entrará em vigor 180 dias após a publicação oficial.

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