O transporte coletivo de Curitiba volta a aceitar, a partir deste domingo (1º de março), o pagamento da tarifa por meio de celulares e relógios inteligentes. A funcionalidade estará disponível em todos os 1,3 mil ônibus e nas 330 estações-tubo da capital.
A modalidade utiliza tecnologia de aproximação (NFC), permitindo que o passageiro pague a tarifa apenas encostando o dispositivo no validador, sem necessidade de digitar senha. O sistema opera com cartões virtuais cadastrados em carteiras digitais e promete agilizar o embarque.
O pagamento por dispositivos móveis havia sido suspenso em abril de 2024, após a Urbanização de Curitiba (Urbs) e a Polícia Civil identificarem um esquema de fraudes envolvendo a venda irregular de passagens com cartões virtuais. Durante o período de interrupção, a Urbs acionou instituições bancárias, empresas de aplicativos e bandeiras de cartões para reforçar os protocolos de segurança na emissão de carteiras digitais.
Segundo o presidente da Urbs, Ogeny Pedro Maia Neto, as medidas adotadas tiveram como foco o fortalecimento da segurança e a melhoria do processamento das transações. Ele informou que o funcionamento será acompanhado inicialmente nos ônibus e estações-tubo e que, em um segundo momento, a forma de pagamento poderá ser ampliada para alguns terminais.
Entre as principais mudanças está a criação de uma lista restritiva vinculada ao PAR (Payment Account Range). O mecanismo impede tentativas de burlar bloqueios em carteiras digitais, como Apple Pay e Google Pay. Quando um cartão é cadastrado, excluído e adicionado novamente, um novo token é gerado, mas o identificador da conta — o PAR — permanece o mesmo. Com a nova regra, o bloqueio passa a considerar esse identificador, evitando que o usuário contorne restrições ao recriar o cadastro do cartão.
Outra melhoria foi aplicada no processamento das transações. Antes, havia um intervalo maior entre a operação e sua análise no sistema, especialmente nos casos de negativas. Esse atraso permitia novas tentativas antes que o bloqueio fosse efetivado. Com a otimização, as negativas passam a ser registradas de forma mais rápida, reduzindo o período de vulnerabilidade e ampliando o controle antifraude.
Além da retomada do pagamento por carteiras digitais, continuam válidos os cartões físicos de débito e crédito, os cartões-transporte Urbs — nas categorias usuário, isento e estudante — e o pagamento em dinheiro, aceito em terminais e estações-tubo.
O sistema de transporte coletivo da capital registra, em média, 11,3 milhões de pagantes por mês. Desse total, 81% utilizam o cartão-transporte Urbs, que garante integrações temporais. Os cartões de crédito e débito, incluindo as versões virtuais, correspondem a 12% das passagens, enquanto o dinheiro representa 7%. Até 2024, celulares e relógios respondiam por 1,99% dos pagamentos mensais, o equivalente a 224,6 mil passagens.
No caso de pagamentos com cartões de débito e crédito, incluindo carteiras digitais, a tarifa de R$ 6 recebe acréscimo de R$ 0,13, valor destinado às operadoras.
Para utilizar a funcionalidade, é necessário que o aparelho tenha tecnologia NFC e que o cartão de crédito ou débito esteja cadastrado em uma carteira digital, como Google Wallet, Apple Pay ou Samsung Pay. O passageiro deve manter a função NFC ativada, desbloquear o dispositivo e aproximá-lo do validador no momento do embarque, aguardando a confirmação da operação. A cobrança é processada posteriormente na fatura ou no extrato bancário, permitindo embarque rápido mesmo em modo offline.




