Terceiro dia de Psycho Carnival, uma noite que começou medieval e terminou majestosa

Foto : Rafael Lopes

Antenas, Vampiros e um Cão Sarnento no Trono

O terceiro dia do Psycho Carnival começou como todo bom filme B, com indícios de que algo estava errado e absolutamente certo. No Lado B, os Cavaleiros Temporários abriram os portais com sua surf music medieval. Imagine uma cruzada acontecendo na praia, cavaleiros trocando espadas por guitarras com reverb. Foi assim. Histórico? Não. Memorável? Inevitavelmente.

Na sequência, o Wi-fi Kills lançou a pergunta que deveria constar em qualquer inquérito contemporâneo, porque se você vivesse cercado por antenas de transmissão, quais seriam as chances de ficar paranoico? A essa altura tinha gente desconfiando até da própria sombra, o que, num festival desses, é prudente.

Do subterrâneo para o altar oficial do Jokers, a noite ganhou corpo, a Patada avisou, sem metáforas desnecessárias que o diabo mora nos detalhes, e ele estava bem vestido, diga-se.

O Reverendo Frankenstein pregou sua homilia elétrica do eu vou sozinho! Uma declaração de independência num ambiente onde todos já estavam espiritualmente comprometidos com o volume máximo.

Vieram os argentinos do Clan Farsante, abrindo fissuras emocionais com o refrão de “você é o terremoto que abriu uma fenda no meu coração”. O passado condena, o brinquedo está quebrado, mas o público aceitou como se fosse sentença suspensa.

Os londrinenses do The Brown Vampire Catz deixaram no ar a pergunta mais honesta da noite, serei eu um psicopata? A plateia respondeu da única forma aceitável, cantando junto.

Direto da França, o ataque de nervos organizado chamado Nausea Bomb transformou paranoia doméstica em manifesto com suas narrativas repletas de vendedores de tapetes, visitas indesejadas e a vingança contra a paz perturbada. Ei! É isso aí! E ninguém ousou discordar.

Os pioneiros paulistanos do Restos de Nada trouxeram o romantismo etílico definitivo com o mantra de oh! minha doce garrafa de pinga. Há quem busque transcendência; outros preferem destilação, mas ambos encontraram resposta no copo e no pogo.

E então, como manda o roteiro, quando já se está desistindo do caso e o monstro resolve discursar, surgiram os curitibanos do Ovos Presley. “Eu sou um cão sarnento, um vira-lata, vagabundo, o mais lixo de todos.” Uma falsa modéstia? Evidentemente. Se isso é lixo, que nos falte coleta seletiva. O encerramento foi de uma elegância marginal rara, sujo, debochado e poderoso. O cão sarnento não apenas latiu, reinou. E reinou com ironia suficiente para transformar autodepreciação em hino de superioridade estética.

O terceiro dia não terminou, foi arquivado como prova material de que Curitiba continua sendo cúmplice do caos organizado. E hoje tem mais Psycho Carnival. Ainda não é o fim. Compareça, antes que o próximo capítulo seja escrito sem você.

Serviço:
Segunda-feira (16) – Jokers Pub – Última noite

1h15/2h15 – Batmobile (Holanda)
0h/1h – The Mullet Monster Mafia (Piracicaba)
23h/23h45 – Krappulas (Curitiba)
22h/22h40 – Los Pistoleros (Estados Unidos)
21h/21h40 – Fish’n Creepers (Curitiba)
20h/20h35 – Pedro Yes & The No’s (São Paulo)
19h/19h35 – Dirty Quarantine (Curitiba)

Lado B
17h/18h – Discotecagem com Ariel Invasor (Restos de Nada)
16h/16h40 – Riste (Curitiba)

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