Semana Cultural Indígena Guarani em Diamante D’Oeste celebra 20 anos com planetário móvel e programação rica

Semana Cultural Indígena Guarani em Diamante D’Oeste oferece atividades culturais e científicas com planetário móvel até 16 de junho

A 20ª edição da Semana Cultural Indígena Guarani começou na terça-feira, 14, na Terra Indígena Tekoha Añetete, em Diamante D’Oeste. Até quinta-feira, 16, o Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e recebe apresentações culturais, dança, prática de medicina natural e uma trilha na natureza, contemplando diferentes formas de valorizar e preservar a cultura Guarani.

Um dos destaques deste ano é a presença do planetário móvel do Parque da Ciência Newton Freire Maia, que chega diretamente de Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba. As sessões trazem projeções do céu Guarani, revelando constelações indígenas, mitos e conhecimento ancestral sobre os astros, ampliando o olhar tradicional para a astronomia indígena.

Conforme informação divulgada pelo governo do Paraná, a expectativa é superar o público do ano passado, que foi de cerca de 5 mil pessoas, reforçando a importância da Semana como espaço de reconhecimento e respeito à cultura indígena.

Programação diversificada integra cultura, educação e ciência

A Semana Cultural Indígena Guarani é o evento que mais atrai visitantes para Diamante D’Oeste e engloba atividades pela manhã e tarde. A programação inclui venda de artesanato, pintura facial tradicional, apresentações culturais, além de uma trilha guiada em meio à natureza local. O evento cobra uma taxa simbólica de R$ 7,00 por pessoa e é aberto a toda a comunidade.

Os organizadores destacam o significado do evento para a troca de experiências entre indígenas e não indígenas. Jairo Cesar Bortolini, diretor do colégio sede, ressalta que a Semana é muito mais que uma festa, é um espaço de reconhecimento e preservação dos saberes tradicionais, fortalecendo o papel dos povos indígenas na história e na sociedade brasileira.

Celestial indígena: planetário móvel do Parque da Ciência e suas projeções

O planetário móvel é uma novidade desta edição e promove apresentações de 20 a 30 minutos que apresentam a astronomia tradicional Guarani. Os visitantes conhecem constelações distintas das clássicas ocidentais, além de mitos e lendas baseados na observação dos astros, o que reflete o profundo conhecimento dos povos originários sobre os ciclos da natureza e o céu.

Segundo Anísio Lasievicz, diretor do Parque da Ciência, “a cultura indígena é viva e precisa ser preservada e divulgada”. A iniciativa integra estudos pioneiros da instituição que desde 2002 já recebeu mais de 1,4 milhão de visitantes, e atualmente passa por obras para inaugurar o planetário mais moderno da América Latina, com investimento de R$ 46,47 milhões do Governo do Paraná.

Importância educativa e envolvimento das comunidades nas celebrações

Organizada desde 2006, a Semana Cultural conta com a colaboração intensa de estudantes e professores de duas escolas indígenas da região, o Colégio Estadual Indígena Kuaa Mbo’e e a Escola Estadual Indígena Araju Porã. Cerca de 165 alunos participam das preparações, envolvendo a comunidade e ampliando a divulgação das tradições Guarani.

O evento se insere nas comemorações do Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de junho, e representa um momento de abertura das comunidades para receber visitantes e mostrar seus costumes, religiosidade e forma de vida. Além da organização local, a realização conta com apoio da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), Núcleo Regional de Educação de Toledo, Governo Federal, prefeitura e Itaipu Binacional.

Rede de escolas indígenas no Paraná reforça ensino intercultural e bilíngue

A Secretaria de Educação do Paraná mantém uma rede com 40 escolas indígenas, atendendo aproximadamente 5,5 mil estudantes de etnias como Kaingang, Guarani, Xokleng e Xetá. Essas escolas oferecem ensino intercultural bilíngue, com aulas desde a Educação Infantil em língua indígena e portuguesa.

O currículo inclui disciplinas específicas como Filosofia Indígena, Cultura Corporal Indígena, Arte e Artesanato, História e Direitos Indígenas, além da implantação da Lei Federal 11.645/2008 que torna obrigatório o ensino sobre história e cultura indígenas em todos os níveis escolares. A Secretaria também promove formação continuada para professores, reafirmando o compromisso com a valorização da cultura indígena e o papel transformador das escolas no contexto regional.

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