Segundo dia do Psycho Carnival manteve a alta voltagem, os encontros e a boa música

Foto: Taras Antonio Dilay

No segundo dia do Psycho Carnival, Curitiba amanheceu com a leve sensação de que algo, ou alguém, havia escapado do roteiro turístico oficial. Não eram zumbis ainda, isso fica para a Zombie Walk Curitiba 2026, mas uma caravana sonora vagando entre a neblina e os prédios históricos.

A primeira aparição foi do Tifo, que resolveu espalhar contaminação sonora no Lado B. Tocaram como se fossem uma epidemia rítmica autorizada pela vigilância do bom gosto underground. Já o Agrotóxico, observando o verde impecável do Jardim Botânico com certo sarcasmo, disparou que o veneno era apenas musical. Entre uma estufa e outra, prometeram pulverizar riffs sobre o público do Lado B, com cultivo intensivo de distorção e colheita coletiva de caos.

No caminho para o Centro Histórico, o Hillbilly Rawhide decidiu que o Cão Véio precisava de um pouco mais de country & western endiabrado, trilha sonora para monstros simpáticos e fantasmas dançantes.

O Belly Hole Freak analisava a arquitetura da Ópera de Arame e concluiu que, se existe um lugar perfeito para um vilão cantar sua ária, é ali, onde os gritos ecoam mais altos. Enquanto isso, o 99 Noizagain atravessou o Museu Oscar Niemeyer afirmando que o “olho” do museu piscou ao ouvir o volume do ensaio improvisado. Ninguém confirmou. Ninguém negou.

As Refugiadas fizeram parada estratégica na Praça Tiradentes e decretaram que, se for para fugir, que seja para o palco. Com elegância punk e presença afiada, resumiram o espírito do festival ao afirmar que não se trata de fuga, mas de reencontro com a própria tribo.

Os argentinos do Ghost Bastards surgiram discretamente perto do Bosque Alemão, testando ecos sobrenaturais. Comentaram que Curitiba combina com fantasmas educados, mas que no Psycho Carnival a educação se perde no melhor sentido possível. Pedrito & The Rockin’ Hunters transformaram o trajeto até o Jokers numa caçada sonora, enquanto o Pelebrói Não Sei? e o Sick Sick Sinners mantiveram guitarras febris e contrabaixos pulsando como coração acelerado, porque pecado repetido no palco não é erro, é bis.

Quando finalmente chegaram ao Jokers Pub, sede ritualística do Psycho Carnival 2026, a cidade já sabia que aquela peregrinação não era turística, era litúrgica. Guitarras soando como motosserras elegantes e contrabaixos ameaçando levantar defuntos metafóricos fizeram a plateia entender que o psychobilly é, no fundo, uma grande piada interna entre monstros bem-vestidos.

Depois dos shows, ficou a sensação de energia pulverizada e território conquistado. Se isso é pecado, que venham mais apresentações, porque não é de hoje que o ontem já foi amanhã.

A programação deste domingo promete novos sustos, novos riffs e mais capítulos dessa comédia sombria chamada Psycho Carnival. Se ontem as bandas vagaram por Curitiba, hoje dominam o palco.

Nos vemos no próximo ato. Traga seu topete, seu humor ácido e disposição para curtir muito.

Serviço

Domingo (15), Jokers Pub, 3ª noite

1h15/2h15, Ovos Presley, Curitiba
0h/1h, Restos de Nada, São Paulo
23h/23h45, The Brown Vampire Catz, Londrina
22h/22h40, Nausea Bomb, França
21h/21h40, Clan Farsante, Argentina
20h/20h35, Reverendo Frankenstein, São Paulo
19h/19h35, Patada, Curitiba

Lado B

17h/17h40, Cavaleiros Temporários, Curitiba
16h/16h40, Wi-Fi Kills, Curitiba

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