Moradores de Araucária se reuniram na tarde desta quinta-feira (19), em frente à Prefeitura Municipal, para pedir justiça pela morte da recém-nascida Lorena Diniz Moura. O Portal XV Curitiba esteve no local e conversou com o pai da bebê, Genildo Moura, que voltou a relatar o que, segundo ele, ocorreu durante o parto no Hospital Municipal de Araucária (HMA).
De acordo com Genildo, Larissa Ferreira deu entrada no hospital na terça-feira pela manhã para iniciar a indução do parto, já que a gestação havia alcançado 41 semanas. Segundo ele, o procedimento começou ainda durante a manhã e se estendeu ao longo do dia. O pai afirma que, durante a madrugada, por volta das 3h30 ou 4h, as dores se intensificaram. Ele relata que procurou atendimento médico e que houve uma espera de cerca de 40 a 50 minutos até a chegada da profissional para avaliar a paciente.
Conforme o depoimento, ao constatar nove centímetros de dilatação, a médica teria rompido a bolsa manualmente e iniciado o processo de parto normal. Genildo afirma que o trabalho de parto se prolongou por horas, com Larissa sendo orientada a adotar diferentes posições, utilizar bola de apoio e permanecer sob o chuveiro na tentativa de facilitar a descida do bebê. Ele relata que uma segunda médica foi chamada para avaliar o caso e que houve a hipótese de que a cabeça da criança poderia estar em posição desfavorável.
Segundo o pai, a gestação era considerada de alto risco. Ele afirma que a esposa teve diabetes no início da gravidez e duas infecções urinárias, e que o casal possui exames da rede pública e particular que indicariam essa condição. De acordo com o relato, o pedido de cesariana foi feito mais de uma vez pelo casal, mas a equipe teria optado por manter a tentativa de parto normal sob a justificativa de que a bebê já havia descido e que o procedimento cirúrgico poderia apresentar riscos.
A decisão pela cesariana ocorreu apenas por volta das 10h da manhã, segundo o pai. Lorena nasceu em estado grave e foi encaminhada à UTI neonatal, onde permaneceu internada por dois dias. Genildo afirma que não responsabiliza a equipe da neonatal, destacando que os profissionais realizaram todos os procedimentos possíveis após o nascimento. “Se tivessem feito a cesárea antes, eu tenho certeza que minha filha estaria com a gente agora”, declarou. Em outro momento, afirmou: “Ela praticamente nasceu sem vida. Eu culpo quem fez o parto”.
Durante a manifestação, houve críticas direcionadas à administração municipal. Uma das participantes questionou a ausência do prefeito de Araucária, Gustavo Botogoski (PL), e da secretária municipal de Saúde, Renata Botogoski, que estão em viagem à Disney. “Ele estava em Brasília, em aniversário, agora está onde? Na Disney. Se ele é prefeito de Araucária, não é prefeito da Disney”, disse a manifestante, que também cobrou mais atenção à saúde pública do município.
Ainda durante o ato, a vice-prefeita Tatiana Assuiti desceu para conversar com os manifestantes e convidou representantes do grupo para uma reunião no gabinete, a fim de ouvir as demandas e prestar esclarecimentos. O encontro ocorreu após os pedidos públicos por posicionamento da administração municipal.
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Araucária e deve ser apurado pelas autoridades competentes. Até o momento, não houve pronunciamento oficial da Prefeitura ou da Secretaria Municipal de Saúde sobre o ocorrido. O espaço segue aberto para manifestação.
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