Paraná intensifica vigilância da qualidade da água para consumo humano, integrando políticas de saúde e saneamento em todos os municípios em 2024 e 2025
O acesso à água potável é fundamental para a saúde pública e a prevenção de doenças relacionadas à água contaminada. No Paraná, esse tema ganha destaque com o trabalho integrado da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) no programa Vigiagua, que acompanha desde a captação até o consumo nos 399 municípios do estado.
A iniciativa é reforçada pelo projeto Mais Saúde no Campo, que promove a saúde integral na zona rural, aliando vigilância ambiental e atenção primária ao trabalhador rural. Essas ações representam avanços importantes para garantir qualidade de vida e segurança sanitária para todos os paranaenses.
Conforme informação divulgada pela Secretaria da Saúde do Paraná, o conjunto de medidas evidencia o compromisso do estado em transformar a água segura em uma verdadeira barreira sanitária que protege a população.
Vigilância permanente da qualidade da água com Vigiagua cobre todo o Paraná
O programa Vigiagua opera como um sistema de monitoramento completo, acompanhando o ciclo da água, desde a captação até os reservatórios e pontos de consumo. Está presente em todas as 22 regionais de saúde do Paraná e engloba diversas modalidades de abastecimento, incluindo sistemas de abastecimento (SAA) e soluções alternativas coletivas e individuais (SAC e SAI).
O secretário estadual da Saúde, Beto Preto, enfatiza que “água de qualidade não é apenas infraestrutura, é também saúde pública” e destaca que muitos processos infecciosos podem ser evitados com essa vigilância contínua.
Para o quadriênio 2024-2027, as metas do Plano Estadual de Saúde e do Plano Estadual de Vigilância estão claras: reduzir o percentual de sistemas de abastecimento coletivos considerados inseguros, passando de 57,20% para 53%, e ampliar a frequência das análises de agrotóxicos na água de anual para semestral.
A lista de agrotóxicos pesquisados na água também será ampliada, saltando de 249 para 337 tipos, incluindo os 40 parâmetros exigidos pela portaria de potabilidade vigente.
Projeto Mais Saúde no Campo promove cuidado integral e proteção ambiental na zona rural
O projeto Mais Saúde no Campo integra atenção primária e vigilância ambiental para beneficiar cerca de 1,3 milhão de habitantes da zona rural paranaense. Uma das suas estratégias é a implementação da Ficha de Rastreio de Exposição aos Agrotóxicos, que permite a busca ativa e a estratificação de risco, assegurando que a saúde pública chegue até às propriedades mais remotas.
Além do monitoramento laboratorial, o governo estadual distribui hipoclorito de sódio a 2,5% para garantir que a água possa ser tratada em locais sem acesso à água tratada ou em momentos de desabastecimento. Em 2025, foram distribuídos 121 mil frascos, com previsão de 157 mil em 2026. A orientação para uso é simples: adicionar duas gotas por litro de água e aguardar 30 minutos antes de consumir.
Doenças associadas à água contaminada e a importância da prevenção
As doenças transmitidas pela ingestão de água contaminada envolvem bactérias, vírus, protozoários e parasitas, entre elas cólera, febre tifoide, shigelose, diferentes gastroenterites e infecções por Escherichia coli patogênica. Vírus como hepatites A e E, rotavírus e norovírus também preocupam.
Protozoários causadores de giardíase, amebíase e criptosporidiose, bem como parasitas responsáveis por esquistossomose e ascaridíase, são monitorados por meio dessas ações de vigilância.
Os sintomas comuns incluem diarreia, vômitos, dor abdominal, febre e desidratação, problemas que podem ser evitados com a garantia de qualidade da água e educação em saúde.
Governança e articulação fortalecem controle e ampliam acesso seguro
O enfrentamento das vulnerabilidades hídricas no Paraná é reforçado pela governança municipal e pela participação da Sesa no Grupo de Trabalho de Saneamento Rural (GT-SR), criado com objetivos de universalizar o saneamento e garantir acesso à água potável também nas áreas mais vulneráveis.
A gestão da qualidade da água se apoia nos princípios de territorialização e integralidade, com as secretarias municipais exercendo vigilância direta e mantendo os dados atualizados no Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua).
Com essa estrutura técnica e capilarizada, o Paraná segue avançando para que o fornecimento de água de qualidade seja um instrumento eficaz de justiça social e prevenção de doenças, protegendo a saúde da população tanto nas áreas urbanas quanto rurais.



