Secretaria de Saúde do Paraná reforça vigilância da doença de Chagas, causada pelo bicho-barbeiro e com alta incidência na população idosa e jovem do estado
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) do Paraná intensifica os alertas para a prevenção da doença de Chagas, enfermidade de grande impacto global causada pelo inseto conhecido como bicho-barbeiro (Triatoma infestans). A doença, considerada endêmica em várias regiões das Américas, tem uma fase crônica que atualmente recebe notificação obrigatória no Brasil, o que permite ao Paraná monitorar melhor os casos e garantir atendimento adequado aos pacientes.
A doença pode se manifestar de forma silenciosa por anos e atingir principalmente populações vulneráveis. O Paraná registrou 499 notificações de casos crônicos entre 2020 e 2025, com 266 só no último ano, demonstrando a importância do acompanhamento médico contínuo. A atenção ao vetor é fundamental, pois a maioria dos insetos infectados foi encontrada dentro das residências.
Conforme dados divulgados pela Sesa, o monitoramento dos casos e dos vetores está ativo, com foco no diagnóstico precoce e controle ambiental, reforçando a importância da colaboração da população na identificação e encaminhamento dos barbeiros para análise.
Dados do Paraná destacam maior incidência em idosos, mas preocupam casos em jovens
O balanço da Secretaria de Saúde revela que 78% dos diagnósticos de doença de Chagas crônica foram em pessoas com mais de 69 anos, o que indica infecções antigas. Entretanto, a presença de 37 casos em pacientes com menos de 40 anos mostra diagnósticos [em fases] inoportunas, o que pode comprometer o tratamento.
Entre 2021 e 2025 também foram notificadas 241 ocorrências da forma aguda da doença. Em 2025, a vigilância identificou 114 insetos enviados para análise, dos quais 61 eram realmente bichos-barbeiros. Destes, 18% estavam infectados pelo parasita Trypanosoma cruzi, com 77% capturados dentro das casas, reforçando o risco domiciliar.
Como ocorre a transmissão e os cuidados que a população deve adotar
A transmissão da doença de Chagas acontece principalmente pelo contato das fezes do bicho-barbeiro infectado com mucosas, olhos ou feridas, devido ao parasita T. cruzi. Por isso, o monitoramento e o controle desses insetos próximo às residências são essenciais para a prevenção.
A Sesa orienta que, ao encontrar um bicho-barbeiro, o morador não deve esmagá-lo, mas sim capturá-lo usando luvas ou sacola plástica e encaminhá-lo vivo ao Posto de Informação de Triatomíneos (PIT) mais próximo. Essa medida permite identificar se existe risco de infecção na residência e se será necessária ação química ou ambiental.
Sintomas, tratamento e importância do diagnóstico precoce
A doença de Chagas apresenta duas fases, a aguda e a crônica. Na fase aguda, sintomas como febre prolongada, dor de cabeça e fraqueza podem surgir, mas muitas vezes o paciente é assintomático. Na fase crônica, o parasita pode provocar danos sérios ao coração e sistema digestório, se não houver acompanhamento médico adequado.
O tratamento é gratuito pelo SUS e pode ser eficaz tanto na fase aguda quanto na crônica, sendo preferencialmente recomendado iniciar o tratamento logo após o diagnóstico na fase aguda. Na fase crônica, a decisão pelo tratamento é avaliada caso a caso, sempre buscando evitar complicações severas ao longo do tempo.
Doença de Chagas como prioridade global de saúde pública
Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma das Doenças Tropicais Negligenciadas, a doença de Chagas atinge aproximadamente 6 milhões de pessoas no mundo e registra cerca de 30 mil casos novos anualmente. A OMS estabeleceu o dia 30 de janeiro para aumentar a visibilidade e mobilização contra essas doenças.
Segundo o Relatório Global sobre Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS, divulgado em outubro de 2025, o progresso no controle da doença de Chagas tem sido lento, especialmente na redução da mortalidade. Por isso, o Paraná mantém a rede de vigilância ativa e o fornecimento gratuito de medicação, buscando maior proteção à população e aperfeiçoamento do cuidado médico.





