Região Metropolitana de Curitiba pode ser reduzida; entenda o que muda

Foto: Arnaldo Alves/Arquivo AEN

A Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) concluiu o novo Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado da Região Metropolitana de Curitiba (PDUI-RMC), documento que vai orientar o crescimento e a organização das cidades pelos próximos dez anos. O plano agora será encaminhado para análise da Assembleia Legislativa do Paraná.

Elaborado com a participação de mais de 220 técnicos, envolvendo municípios da região, órgãos públicos, universidades e entidades da sociedade civil, o PDUI reúne diretrizes para áreas como mobilidade urbana, meio ambiente, habitação, desenvolvimento econômico e uso do solo. Entre os pontos que mais chamam atenção está a possibilidade de reordenação da Região Metropolitana de Curitiba (RMC), o que pode resultar na saída de alguns municípios da composição formal da região.

O plano apresenta quatro cenários distintos. Um deles mantém a configuração atual, com os 29 municípios. os demais consideram a retirada de cidades com menor integração urbana com o núcleo metropolitano. Entre os municípios que podem deixar de integrar formalmente a RMC estão Doutor Ulysses, Adrianópolis, Cerro Azul, Tunas do Paraná, Lapa, Rio Negro, Campo do Tenente, Piên, Quitandinha, Agudos do Sul e Tijucas do Sul. Outros cenários reduzem essa lista, mantendo parte dessas cidades fora da região metropolitana.

Mesmo com a possível retirada, o plano prevê que esses municípios continuem aptos a receber recursos estaduais e possam manter cooperação regional por meio de consórcios, associações e fóruns de desenvolvimento. O PDUI tem como principal objetivo integrar o planejamento entre os municípios da RMC, que concentram cerca de 3,73 milhões de habitantes — aproximadamente um terço da população do Paraná. A região também responde por cerca de 35% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, o que reforça a importância de um planejamento conjunto.

O documento também propõe a atualização do Núcleo Urbano Central, que concentra mais de 90% da população da região. A nova delimitação inclui áreas que cresceram nas últimas décadas, como regiões de Fazenda Rio Grande, Mandirituba e São José dos Pinhais, enquanto áreas rurais de municípios como Campo Largo e Araucária deixam de fazer parte dessa delimitação.

Na área de mobilidade, o plano aponta desafios e apresenta soluções estruturais, como a criação do Segundo Anel Metropolitano e a ampliação de rodovias como a BR-116 e a BR-376, além de reforçar a necessidade de ampliar o transporte coletivo e incentivar formas sustentáveis de deslocamento, como o uso de bicicletas e melhorias para pedestres.

O PDUI também traz diretrizes voltadas à preservação ambiental, com foco na proteção de mananciais, ampliação de áreas verdes e gestão integrada dos recursos hídricos. Além disso, prevê políticas para habitação de interesse social, incentivo ao desenvolvimento econômico sustentável e ações para reduzir a vulnerabilidade social na região.

Após a conclusão técnica, o plano será analisado pelos deputados estaduais. Caso aprovado, passará a orientar políticas públicas e investimentos na Região Metropolitana de Curitiba ao longo da próxima década.

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