Reajuste de 19% na tarifa da Copel é abusivo, afirma Sistema FAEP

Foto: AEN

A proposta de reajuste tarifário da Companhia Paranaense de Energia (Copel) para 2026 tem gerado forte reação no setor agropecuário do Paraná. A Revisão Tarifária Periódica (RTP), conduzida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), prevê aumento médio de 19,2% nas tarifas, índice que supera a inflação registrada em 2025, de 4,26%.

O Sistema FAEP manifestou posição contrária ao reajuste. De acordo com o presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, o aumento é considerado abusivo, especialmente diante das dificuldades enfrentadas por produtores rurais com a qualidade do fornecimento de energia elétrica. Segundo ele, embora tenham sido realizados investimentos pela distribuidora, os efeitos não são percebidos no campo.

Relatos de produtores indicam prejuízos recorrentes causados por quedas de energia e oscilações na rede elétrica. Entre os impactos apontados estão perdas na produção de leite, mortalidade de animais — principalmente peixes e frangos — e danos a equipamentos como motores, bombas de irrigação, climatizadores e resfriadores.

A revisão tarifária considera custos operacionais, investimentos realizados ao longo de cinco anos e encargos do setor elétrico. Caso o reajuste seja aprovado, cerca de 5,3 milhões de unidades consumidoras no Paraná serão afetadas, incluindo aproximadamente 311 mil propriedades rurais.

Diante desse cenário, o Sistema FAEP defende não apenas a não aplicação do aumento, mas também a possibilidade de redução das tarifas ou ressarcimento pelos prejuízos acumulados pelos produtores.

Levantamentos recentes reforçam a insatisfação no campo. Pesquisa encomendada pela entidade em 2024, com 514 agricultores e pecuaristas, apontou que 85% dos entrevistados estão insatisfeitos com o serviço prestado. Entre os principais problemas relatados estão a falta frequente de energia, citada por 44% dos participantes, além da demora na solução de falhas e oscilações na rede.

O debate em torno da revisão tarifária segue em análise pela Aneel, enquanto produtores rurais e entidades representativas acompanham os desdobramentos e cobram melhorias no fornecimento de energia elétrica no estado.

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