Em entrevista concedida nesta terça-feira (1º) ao XV Cast, podcast produzido pelo Portal XV Curitiba, o ex-prefeito da capital e atual secretário estadual de Desenvolvimento Sustentável (Sedest), Rafael Greca, comentou sobre o tema da anistia, que tem gerado intensos debates no cenário político nacional. Sem adotar uma posição rígida, Greca defendeu que a questão seja tratada com equilíbrio e justiça, destacando a importância de distinguir diferentes tipos de condutas.
Durante a conversa, Greca afirmou que não se pode tratar o tema de forma absolutista. “Acho que tem que ser em termos, não pode haver também uma predisposição quase que ditatorial”, disse. Ele ilustrou sua opinião citando casos específicos. Um deles foi o de uma mulher que pintou a estátua da Justiça com batom, que, segundo ele, poderia ser educada sobre o significado da anistia e encarregada de limpar o monumento como forma simbólica de reparação. “Porque a pedra aceita limpeza, tira a abrasão da substância”, completou.
Em contraponto, Greca também destacou situações que, em sua visão, não devem ser anistiadas. Entre os exemplos citados, mencionou o vandalismo contra obras de arte e patrimônios históricos nacionais, como a destruição de uma tela de Dica Volpini, artista cuja obra retrata figuras negras, e o dano causado ao relógio histórico de Dom João VI. “Isso não tem cabimento não ter punição”, afirmou com firmeza.
Ainda que tenha evitado aprofundar-se nas implicações jurídicas e políticas do tema, o secretário afirmou que cabe ao Judiciário e ao Congresso Nacional conduzirem o debate. “Eu não quero discutir isso, eu acho que é a justiça que tem que discutir isso”, declarou.
Greca também refletiu sobre a polarização política que marca o Brasil, utilizando uma metáfora para propor reconciliação. “Há uma mão esquerda que puxa para um lado, há uma mão direita que puxa para o outro. As duas podem se encontrar no coração. E é no coração que a função pública tem que ser realizada.”