Quando monstros dançam, o preconceito foge pela porta dos fundos
Sob a luz simbólica da rebeldia que uma sexta-feira 13 carrega, sempre boa para invocar monstros de cinema B e guitarras em alta voltagem, o primeiro dia do Psycho Carnival provou que não há espaço para triscaidecafobia (medo irracional do número 13) no palco do Jokers. Ali, o único medo aceitável é o de perder o riff de abertura.
Um verdadeiro dilúvio sonoro inaugurou a noite. Pindorama abriu os trabalhos entregando um público já em ebulição para o speed skate punk dos Redlightz, porrada honesta, direta, sem manual de instruções, com Intensidade crua, suor legítimo e aquela sensação agradável de que a sexta-feira seria tudo, menos protocolar.
Sem tempo para recuperar o fôlego, os chilenos do Playa Colérica trouxeram de Rancagua um surf punk com perfume instrumental sessentista, mas com a atitude ancorada no presente. Guitarras que remetem às ondas do Pacífico encontraram letras intensas e postura firme. Uma psicodelia praiana com coturno.
Já o Tampa do Caixão e Cigarras ampliaram o espectro da noite com suas cores, luzes, energia e um palco que pulsava como se tivesse vida própria, o que, convenhamos, numa sexta-feira 13 é absolutamente coerente. A rebeldia ali não era pose; era celebração tendo a música como elo, não como vitrine.
E então vieram Devotos e Black Pantera. O mosh virou linguagem política sem perder o humor e a contundência. A Igualdade racial, de gênero, respeito e consciência social ecoaram entre distorções e refrões gritados em uníssono. Ficou evidente que, por trás da estética de horror e sarcasmo que o Psychobilly tanto cultiva, existe algo profundamente sério tendo a música como ferramenta real de transformação.
Porque se monstros e zumbis sempre foram metáforas do medo coletivo, talvez a maior ironia da noite seja que os “assustadores” estavam no palco defendendo justiça, enquanto o preconceito, esse sim, fugia apavorado pela saída de emergência.
E se o primeiro dia foi assim, convém avisar: ainda há mais distorção pela frente. Sexta-feira 13 passou ilesa. Mas o segundo dia promete ser perigosamente inesquecível. Recomenda-se comparecer antes que alguém diga que você perdeu o apocalipse mais animado de Curitiba.
Sábado (14) – Jokers Pub – 2ª noite
1h15/2h15 – Sick Sick Sinners (Curitiba)
0h/1h – Pelebrói Não Sei? (Curitiba)
23h/23h45 – Pedrito & The Rockin’ Hunters (São Paulo)
22h/22h40 – Ghost Bastards (Argentina)
21h/21h40 – Refugiadas (São Paulo)
20h/20h35 – 99 Noizagain (Curitiba)
19h/19h35 – Belly Hole Freak (Itália)
Cão Véio – Almoço de confraternização
14h/15h – Hillbilly Rawhide (Curitiba)
Lado B
17h/17h40 – Agrotóxico (São Paulo)
16h/16h40 – Tifo (Curitiba)





