Programa Água Segura amplia estratégias para garantir a qualidade da água desde os mananciais até a população, com ações integradas e sustentabilidade
O Paraná intensifica seus esforços para assegurar a qualidade e a disponibilidade da água potável através do Programa Água Segura, que atua em toda a cadeia do abastecimento. A iniciativa envolve a Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR) e o Instituto Água e Terra (IAT), que realizaram recentemente a 33ª reunião do grupo de trabalho em Ponta Grossa.
O programa faz parte do Plano de Segurança da Água e tem o objetivo de identificar riscos em todas as etapas, do manancial até o consumidor final, para implantar medidas de controle e proteção dos recursos hídricos. Até 2028, o trabalho contemplará 42 microbacias hidrográficas e 382 municípios, evidenciando o compromisso estadual com o manejo sustentável.
Conforme informação divulgada por fontes oficiais, a iniciativa está baseada em parcerias que incluem também o Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) e a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar), promovendo uma abordagem integrada e preventiva para o uso responsável da água.
Estratégias integradas para preservar a qualidade da água
A gerente de Recursos Hídricos da Sanepar, Ester Assis Mendes, explica que o programa trabalha de forma preventiva na gestão de risco em toda a cadeia do abastecimento. Ela ressalta que a água utilizada pela sociedade depende do equilíbrio e da ação conjunta para preservação das bacias hidrográficas, onde a qualidade do recurso deve ser garantida antes mesmo de chegar às unidades de tratamento.
“Esta água vem de um sistema natural, que é usado por todos dentro de uma bacia hidrográfica — indústria, agropecuária, lazer. Então, a água de boa qualidade no manancial depende da ação de toda a sociedade, para ser usada por essa mesma sociedade”, destacou a gerente.
Unidades modelo com foco em produção sustentável
O IDR-PR amplia suas ações com a implantação de unidades de referência que receberão investimentos em tecnologias sustentáveis. Conforme Avner Paes Gomes, coordenador de Recursos Naturais e Sustentabilidade do IDR, essas áreas-modelo servirão para estimular práticas de manejo do solo, proteção ambiental e recuperação de áreas degradadas.
Essas iniciativas incentivam produtores rurais a adotarem boas práticas ambientais, gerando impacto positivo tanto nas áreas de manancial quanto nas populações rural e urbana que dependem desses recursos.
Monitoramento e controle nas microbacias prioritárias
A microbacia da Represa de Alagados, entre Ponta Grossa, Castro e Carambeí, é destaque entre as áreas prioritárias para o Programa Água Segura. A região tem enfrentado a redução das chuvas e temperaturas elevadas, que resultaram em hiperfloração de algas prejudicando a qualidade da água usada no abastecimento público.
Segundo Raul Marcon, coordenador de Recursos Hídricos da Sanepar, houve uma queda expressiva na vazão da represa nos últimos meses: “Em fevereiro de 2025, a vazão da Represa era de 16 metros cúbicos por segundo. Hoje, estamos com uma vazão de 2 metros cúbicos por segundo, muito abaixo da média histórica para esta época do ano.”
O diagnóstico desta microbacia está em elaboração e, nos próximos meses, o programa iniciará ações em outras sete microbacias para fiscalização, avaliação e implementação de medidas de controle.
Convênio entre órgãos fortalece o manejo sustentável no Paraná
Além da Sanepar, IDR e IAT, o convênio que sustenta o Programa Água Segura envolve o Simepar e a Adapar, fortalecendo o monitoramento ambiental, a fiscalização de usos agrícolas e florestais e a previsão hidroclimática.
A gerente Ester Mendes destaca que este trabalho conjunto visa não só assegurar a segurança hídrica, mas também fomentar a responsabilidade social, ambiental e econômica de todos os envolvidos na cadeia de abastecimento.
Assim, o Programa Água Segura atua para garantir que a população do Paraná tenha acesso contínuo e seguro à água, por meio de estratégias inovadoras e colaborativas que conjugam proteção, conservação e uso sustentável deste recurso essencial para a vida.





