A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que apura as circunstâncias da morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, e também investigou uma tentativa de afogamento contra outro animal, chamado Caramelo. Segundo a corporação, adolescentes foram responsabilizados pelos dois episódios, que aconteceram no início de janeiro.
O caso de Orelha teve início após o animal ser encontrado ferido na madrugada do dia 4. Exames da Polícia Científica indicaram que ele sofreu um golpe contundente na cabeça, possivelmente provocado por chute ou por objeto rígido. O cachorro foi socorrido por moradores no dia seguinte e levado a uma clínica veterinária, onde morreu. Para esclarecer o crime, a Polícia Civil montou uma força-tarefa que analisou mais de mil horas de imagens de câmeras de segurança instaladas na região e utilizou software de geolocalização. Ao longo da apuração, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes passaram a ser investigados.
As diligências apontaram divergências no depoimento do jovem identificado como autor da agressão contra Orelha. Imagens mostram que ele saiu de um condomínio por volta das 5h25 e retornou às 5h58, em horário incompatível com a versão apresentada à polícia. No mesmo dia em que os suspeitos foram identificados, o adolescente viajou para os Estados Unidos e permaneceu fora do país até 29 de janeiro. Na volta, foi abordado no aeroporto, ocasião em que um familiar tentou ocultar um boné e um moletom que, de acordo com a investigação, teriam sido usados no momento do crime. Diante da gravidade dos fatos, a Polícia Civil pediu à Justiça a internação do adolescente, medida equivalente à prisão no sistema adulto.
Paralelamente, a polícia apurou um segundo episódio envolvendo o cão Caramelo. Conforme o inquérito, o animal teria sido levado ao mar por um adolescente, mas conseguiu escapar. Quatro jovens foram responsabilizados por essa ocorrência. O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, informou nas redes sociais que adotou o cachorro após o caso ganhar repercussão.
No inquérito sobre a morte de Orelha, três adultos também foram indiciados por coação a testemunha. Segundo a corporação, eles teriam tentado interferir no andamento das investigações. A análise de dados extraídos de celulares apreendidos ainda está em curso e pode reforçar as provas já reunidas ou trazer novos elementos ao processo.
Com a conclusão do inquérito, os autos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário, que agora avaliam as medidas cabíveis. O caso teve grande repercussão na região e reacendeu o debate sobre crimes de maus-tratos contra animais e a responsabilização dos envolvidos.


