Polícia Civil do Paraná prende 55 em operação contra jogos ilegais no Brasil

Foto: PCPR

Uma operação de grande escala da Polícia Civil do Paraná mobilizou centenas de agentes em diversos estados brasileiros para desarticular um grupo suspeito de explorar jogos de azar em nível nacional. A ação, realizada entre terça-feira (7) e quarta-feira (8), já resultou na prisão de 55 pessoas.

A ofensiva foi coordenada pela Polícia Civil do Paraná em conjunto com o Ministério Público do Paraná e ocorreu simultaneamente em 27 cidades distribuídas entre os estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Goiás e Pará. Ao todo, mais de 330 policiais civis participaram da operação, que também contou com o apoio de três aeronaves.

As investigações resultaram na expedição de 371 ordens judiciais, incluindo 85 mandados de prisão preventiva e 102 de busca e apreensão. Também foram determinadas 184 medidas de bloqueio de contas bancárias, com o objetivo de sequestrar cerca de R$ 1,5 bilhão. Entre os detidos estão apontados líderes da organização, além de dois vereadores e integrantes dos núcleos financeiro e operacional.

Durante a operação, foram apreendidos bens de alto valor. As equipes atuam para o sequestro de 132 veículos, avaliados em mais de R$ 11 milhões, além de 111 imóveis que somam cerca de R$ 32,9 milhões. Também foram identificadas e apreendidas mais de cem cabeças de gado, estimadas em aproximadamente R$ 43,9 milhões. No ambiente digital, 21 sites ligados a apostas ilegais foram retirados do ar.

A ação ocorreu em diversas cidades, incluindo municípios do interior e da capital paranaense, além de localidades em outros estados. A investigação teve início há mais de três anos, a partir de apurações conduzidas na cidade de Grandes Rios, no Norte do Paraná.

Ao longo do trabalho investigativo, os agentes analisaram um volume expressivo de dados, que ultrapassa 2,6 terabytes, além de mais de 520 mil movimentações financeiras. Para isso, foram realizados 57 afastamentos de sigilo bancário e 62 de sigilo fiscal.

De acordo com as autoridades, foi possível identificar uma estrutura criminosa consolidada a partir da união de dois grandes grupos especializados na exploração de jogos ilegais, um com origem no Paraná e outro em Goiás. Juntos, eles teriam formado um conglomerado que atuava de maneira organizada em diferentes frentes.

As investigações apontam que o grupo movimentou mais de R$ 2 bilhões por meio de centenas de milhares de transações financeiras. Parte dessas operações era realizada por meio de fintechs e contas intermediárias, dificultando o rastreamento da origem e do destino dos recursos.

Com atuação estimada em mais de uma década, a organização mantinha milhares de pontos de exploração de jogos ilegais, incluindo cerca de 15 mil ligados ao jogo do bicho. A estrutura envolvia setores distintos, como gestão, financeiro, tecnologia e operação.

Ainda conforme apurado, os suspeitos utilizavam empresas de fachada para ocultar os lucros obtidos de forma ilegal e inseri-los na economia formal. Também foi identificada a utilização de contas bancárias em nome de terceiros, usadas para movimentar grandes quantias de dinheiro de forma fragmentada.

Outro ponto destacado pela investigação é a existência de uma empresa de tecnologia ligada ao grupo, responsável pelo desenvolvimento e manutenção de plataformas digitais utilizadas para a exploração dos jogos. Esses sistemas permitiam tanto a transmissão das apostas quanto o controle financeiro das atividades, sendo utilizados por diversas bancas em diferentes estados do país.

Os envolvidos podem responder por crimes como organização criminosa, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais. As investigações continuam para identificar outros participantes e aprofundar o rastreamento dos recursos movimentados pelo grupo.

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