Discussão sobre a população em situação de rua em Curitiba revela dados alarmantes e necessidade de ações públicas imediatas e integradas
A questão da população em situação de rua tem ganhado cada vez mais atenção em Curitiba, acompanhando a tendência de grandes cidades brasileiras. O aumento desse grupo evidencia a necessidade urgente de políticas públicas estruturadas que enfrentem as causas profundas e promovam a reinserção social dessas pessoas.
No lançamento da segunda temporada do programa Respeito!, produzido pelo CMC Podcasts, vereadores integrantes da Comissão de Direitos Humanos, Defesa da Cidadania, Segurança Pública e Minorias debateram o tema com base em dados recentes e experiências locais.
Conforme informação divulgada pela Câmara Municipal de Curitiba, o episódio ressaltou o desafio que é para o município acompanhar e atender a esse grupo da população em situação de rua, que enfrenta uma realidade extensa e complexa.
Contexto nacional e local da população em situação de rua
Dados do Cadastro Único do Governo Federal (CadÚnico) mostram que mais de 350 mil pessoas vivem em situação de rua no Brasil. Entre os fatores que levam a essa condição estão desemprego, conflitos familiares, perda da moradia, além do uso de álcool e drogas. Impressiona que mais de 130 mil pessoas em situação de rua não mantêm contato algum com familiares.
Na região Sul do país, cerca de 44 mil pessoas vivem nas ruas, sendo aproximadamente 16 mil no Paraná, e cerca de 4,5 mil desses em Curitiba. Outro dado relevante é o tempo de permanência nessa situação. Ao menos 35 mil pessoas vivem nas ruas há mais de dez anos em todo o país, padrão semelhante na capital paranaense. Isso mostra que para muitos, estar em situação de rua não é algo temporário, mas uma condição crônica que precisa ser enfrentada com políticas consistentes.
Propostas e desafios debatidos na Câmara Municipal
No debate, o vereador João Bettega (União) destacou projetos voltados para a ampliação de políticas públicas para pessoas que vivem nessa condição. Entre eles está a proposta de um cadastro único para essa população, que pretende qualificar e integrar dados para melhorar a efetividade das ações governamentais. Ele também abordou o tema da política de internamento compulsório, como uma das medidas discutidas para publicar respostas mais firmes.
A vice-presidente da comissão de Direitos Humanos, vereadora Delegada Tathiana Guzella (União), ressaltou os desafios para a realização de um censo preciso, fundamental para planejar políticas de acolhimento, saúde, segurança e reinserção social adequadas. Segundo ela, mais de 3 mil pessoas em situação de rua em Curitiba já tiveram emprego formal, mostrando que há um potencial para a reintegração ao mercado de trabalho, desde que existam políticas direcionadas e eficazes para tal.
Articulação entre ações de curto e longo prazo para garantir dignidade
O vereador Rodrigo Marcial (Novo) apontou iniciativas municipais como o Mesa Solidária, que oferece apoio imediato, mas defendeu que essas ações precisam estar alinhadas a estratégias de longo prazo voltadas para a autonomia e dignidade dessas pessoas.
Ele também destacou o papel do Terceiro Setor, atuando em conjunto com o Poder Público para oferecer um apoio mais integrado e eficiente. Essa articulação é fundamental para que as políticas públicas deixem de ser assistencialistas e se tornem efetivas na transformação da realidade social da população em situação de rua.
O programa na íntegra está disponível para quem quiser aprofundar a compreensão sobre a complexidade do problema e as soluções em análise na Câmara Municipal de Curitiba.


