PCPR cumpre seis mandados para desarticular esquema de venda ilegal de laudos médicos em Maringá

Polícia Civil do Paraná realiza ação contra associação criminosa que vendia laudos médicos para fraudar benefícios fiscais na compra de veículos

Na manhã desta quinta-feira (19), a Polícia Civil do Paraná (PCPR) cumpriu seis mandados de busca e apreensão em Maringá, visando desarticular um esquema de comercialização ilegal de laudos médicos. As ordens foram executadas em residências, uma clínica médica e um escritório, conforme informações divulgadas pela PCPR.

Os documentos médicos eram usados para obter isenções de impostos na compra de veículos, benefícios destinados a pessoas com deficiência física. Entre os benefícios contemplados estavam isenções do ICMS, IPI e IPVA, conforme detalha a investigação.

Esta operação integrou esforços com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Maringá, que auxiliou na apuração do funcionamento do esquema e no levantamento do fluxo financeiro dos envolvidos.

Detalhes do esquema criminoso e participação dos profissionais

Segundo o delegado Thiago Vicentini de Oliveira, a quadrilha envolvia desde profissionais da saúde até despachantes. O funcionamento era centrado em corretores que captavam interessados e os encaminhavam para a clínica médica envolvida no esquema.

No local, médicos utilizavam o credenciamento da clínica junto ao SUS municipal para emitir laudos falsos de incapacidade, requisito essencial para concessão das isenções. Contudo, os documentos eram remunerados de forma ilícita, com valores que variavam entre R$ 300 e R$ 1.000, pagos em dinheiro ou via transferência bancária por Pix.

Impacto financeiro e irregularidades detectadas

A investigação identificou que apenas em 2025, 324 pessoas foram atendidas por médicos da clínica participante do esquema. Com uma média de R$ 725 por emissão de laudo, estima-se que os envolvidos tenham recebido cerca de R$ 170 mil somente neste ano.

Como a clínica é credenciada pelo SUS, não deveria haver cobrança para emissão dos documentos. Esta irregularidade reforça o caráter criminoso da atividade, que prejudica pessoas que realmente necessitam dos benefícios fiscais.

Objetivo da operação e próximos passos

A operação tem como objetivo principal reunir provas sobre como funcionava o fluxo financeiro e a atuação de cada envolvido, para que os responsáveis sejam legalmente punidos e o esquema completamente desarticulado.

Além disso, a ação busca evitar que pessoas indevidamente obtenham isenções tributárias, garantindo justiça fiscal e protegendo os direitos das pessoas com deficiência física que realmente fazem jus aos benefícios.

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