Tecpar e UFPR firmam colaboração estratégica para desenvolver e aprimorar a vacina antirrábica veterinária no Paraná
A cooperação técnica e científica entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) visa fortalecer o processo de produção da vacina antirrábica para animais, fundamental no combate à raiva no Brasil. A união das duas instituições vai compartilhar infraestrutura, conhecimento e expertise com foco na inovação e no controle de qualidade.
Com histórico de destaque desde 1944 no desenvolvimento da vacina antirrábica para uso humano e veterinário, o Tecpar é atualmente o único laboratório público brasileiro que fornece essa vacina para o Ministério da Saúde. Somente em 2025, foram produzidas 26 milhões de doses para imunização animal.
Esse movimento de colaboração fortalece as ações alinhadas à saúde única, que reconhece a interconexão entre saúde humana, animal e ambiental, promovendo benefícios amplos para a sociedade, conforme informação divulgada pelo Tecpar.
Unindo conhecimento acadêmico e industrial para inovação
A parceria reúne o Centro de Imunobiológicos Veterinários do Tecpar, o Programa de Pós-Graduação em Microbiologia, Parasitologia e Patologia da UFPR, e o Laboratório de Imunologia Comparada da UFPR. Essas equipes trabalham juntas para validar e implementar novos ensaios de controle de qualidade, além de desenvolver tecnologias vacinais e diagnósticos imunológicos inovadores.
Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, ressalta que essa colaboração é uma ação estratégica para promover inovação científica e tecnológica, garantindo autonomia nacional na produção de vacinas e o desenvolvimento de profissionais qualificados combinando pesquisa acadêmica e aplicação prática.
Para a coordenadora do projeto no Tecpar, Lucianna Freitas de Lima, biomédica com doutorado em Biociências e Biotecnologia para Saúde Pública, essa parceria conecta competências consolidadas da academia e indústria, ainda pouco integradas, impulsionando a otimização dos processos e a qualidade da vacina antirrábica para animais.
Potencializando avanços na pesquisa vacinal e no controle da raiva
Breno Beirão, coordenador do Laboratório de Imunologia Aplicada da UFPR, destaca a expertise do Tecpar como centro de referência no controle da raiva animal e a experiência da UFPR em vacinologia e biotecnologia. A colaboração fomenta a troca de informações e traz novas ideias para aprimorar a produção da vacina e os métodos de controle de qualidade.
Entre os objetivos da parceria estão o desenvolvimento de vacinas de nova geração, avaliação da imunogenicidade preservando a capacidade de estimular o sistema imunológico, além de validar testes diagnósticos como RT-PCR e ELISA, garantindo conformidade com normas regulatórias.
O Tecpar assume a responsabilidade por validar e implementar protocolos conforme padrões internacionais, enquanto a UFPR contribui com formação acadêmica e profissional para alunos de pós-graduação envolvidos em pesquisa.
Modernização e impacto social da produção vacinal
A vacina antirrábica animal produzida pelo Tecpar é distribuída gratuitamente pelo SUS, reforçando o conceito de Saúde Única, ao prevenir a transmissão da raiva de animais para humanos. Para ampliar a capacidade produtiva, o instituto mantém uma parceria com a empresa argentina Biogénesis Bagó e investe em modernização da infraestrutura, como a instalação de novos equipamentos de envase que reduziram em 40% a necessidade de colaboradores na etapa final.
Esse avanço tecnológico garante maior eficiência e segurança na produção, ajudando a atender a demanda nacional de forma contínua e qualificada, assegurando o abastecimento do imunizante que protege milhões de animais domésticos e silvestres.
Perspectivas e benefícios da colaboração para o futuro
A cooperação entre Tecpar e UFPR demonstra um importante movimento de inovação, que alia competências técnicas e acadêmicas para enfrentar os desafios crescentes na cadeia de imunobiológicos. Além de aprimorar a vacina antirrábica, a parceria abre caminho para o desenvolvimento de soluções inéditas, alinhadas às necessidades do setor e da sociedade.
Essa colaboração estratégica também reforça o papel do Brasil como protagonista na produção de tecnologias em saúde, com impacto direto no controle de zoonoses e na promoção da saúde pública animal e humana.

