Paraná impulsiona retomada da pera com novos hectares plantados enquanto a suinocultura alcança exportações inéditas em 2026
A cultura da pera no Paraná começa a mostrar sinais de recuperação significativa após quase dez anos de retração na área cultivada. A partir de 2023, houve um acréscimo de 20 hectares plantados, consolidando o estado como o terceiro maior produtor nacional da fruta. A produção concentra-se principalmente na Região Metropolitana de Curitiba, com Araucária como o principal polo difusor. Ao mesmo tempo, a suinocultura do estado segue em forte crescimento, batendo recordes de exportação nos primeiros meses de 2026.
O arroz, outro destaque agrícola paranaense, caminha para uma safra de recuperação técnica, com previsão de aumento na colheita. Mesmo diante de desafios econômicos, a produção agrícola no estado demonstra sinais positivos, refletindo o esforço dos produtores e análises técnicas do setor rural.
Conforme informação divulgada pelo Boletim Conjuntural do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), todos esses setores estão em movimento promissor para o agronegócio local.
Retomada da produção de pera no Paraná
Após quase uma década de queda na área plantada, o Paraná ampliou sua produção de pera entre 2023 e 2024, com 20 hectares adicionados. Hoje, o estado é responsável por 10,7% da produção nacional, posicionando-se como o terceiro maior produtor do país. A maior parte da produção está na Região Metropolitana de Curitiba, que concentra 70% do volume e do Valor Bruto da Produção (VBP), com destaque para Araucária. Apesar da concentração, a pera é produzida em 73 municípios diferentes do Paraná.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que, em 2024, a pera foi cultivada em 996 hectares no Brasil, sendo a 22ª fruta em volume colhido, com 14,5 mil toneladas, e a 23ª em valor bruto, com R$ 60,9 milhões. Os preços variam no mercado atacadista, a pera comum nacional custa em média R$ 3,50 por quilo, enquanto a variedade Yari alcança R$ 7,00 por quilo. No ano anterior, na Ceasa de Curitiba, foram comercializadas 5,4 mil toneladas a R$ 8,10 o quilo, valor acima da média nacional. Produtos importados, especialmente da Argentina, chegam a preços ainda maiores, em torno de R$ 10 por quilo, conforme explica Paulo Andrade, engenheiro agrônomo do Deral.
Suinocultura registra recordes históricos de exportação
A suinocultura no Paraná mantém uma trajetória ascendente e registrou os maiores volumes de exportação para os primeiros dois meses de 2026. Em janeiro, foram exportadas 17,02 mil toneladas e em fevereiro 20,62 mil toneladas de carne suína. O maior volume mensal permanece o de setembro de 2025, com 25,18 mil toneladas embarcadas.
Esse crescimento se deve à abertura de novos mercados em 2025, como Peru e Chile, além do aumento expressivo da demanda das Filipinas, que cresceram 442,1% em relação ao ano anterior, com 9,3 mil toneladas exportadas somente nos dois primeiros meses de 2026. Outros países que têm aumentado suas importações são Hong Kong, Uruguai, Singapura, Argentina, Vietnã, Costa do Marfim, Peru, Geórgia e Chile, consolidando o Paraná como um destaque internacional no setor.
Arroz no Paraná caminha para recuperação técnica apesar dos desafios econômicos
Além da pera e da suinocultura, o arroz se destaca no setor agrícola paranaense. A previsão é de colheita de 147 mil toneladas em 2026, um aumento de 10% em relação às 134 mil toneladas colhidas em 2025. A região do entorno do Rio Ivaí é a principal área produtora no estado. O fim do verão e a redução das chuvas afastam o risco de enchentes que prejudicaram colheitas anteriores, conforme análise do engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho, do Deral.
Apesar da expectativa positiva para a produção, a rizicultura encara dificuldades econômicas. O preço médio recebido pelo produtor em fevereiro foi de R$ 63,07 por saca, valor 46% menor que o mesmo período do ano anterior. Por outro lado, os consumidores viram uma redução no preço do arroz de 5 kg, que caiu 38% nos últimos 12 meses, indicando estabilidade e condições favoráveis para o varejo ao longo do ano.



