Paraná reforça gestão de resíduos e aposta em tecnologia para erradicar lixões até 2026

Paraná implementa nova governança para fortalecer gestão de resíduos sólidos e eliminar lixões a céu aberto com uso de tecnologia e economia circular

O Paraná avança na gestão dos resíduos sólidos com uma estratégia inovadora, focada em tecnologia e cooperação entre seus 399 municípios. O Grupo de Discussão de Resíduos Sólidos (R-20), coordenado pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), definiu diretrizes que visam acabar com os lixões a céu aberto e transformar resíduos em ativos econômicos por meio da economia circular.

Durante a 22ª Reunião Ordinária do R-20, realizada em Curitiba, gestores públicos, técnicos e especialistas discutiram desafios e soluções para melhorar a coleta seletiva, ampliar o atendimento na zona rural e garantir sustentabilidade financeira à gestão dos resíduos. O encontro também marcou a formalização do Regimento Interno do grupo, aumentando a organização e eficácia das ações.

Conforme informação divulgada pela Secretaria do Desenvolvimento Sustentável do Paraná, o foco agora é implementar tecnologias de ponta, como tratamento térmico para geração de energia e fomento à compostagem, promovendo a transformação dos resíduos em oportunidades econômicas e ambientais.

Desafios atuais na gestão de resíduos no Paraná

Embora 86% dos municípios paranaenses realizem coleta seletiva nas áreas urbanas, a cobertura na zona rural é baixa, atendendo apenas 20% da população. Além disso, somente 66 prefeituras conseguiram declarar equilíbrio financeiro total na gestão dos serviços, o que revela desafios financeiros e operacionais a serem superados para o encerramento dos lixões a céu aberto.

O secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, reforçou a importância do tema: “Cuidar dos resíduos é cuidar da saúde da nossa gente e do futuro do planeta. Com inovação, cooperação entre os municípios e novas tecnologias, o Paraná avança para encerrar os lixões e transformar o que antes era problema em oportunidade de sustentabilidade, energia e desenvolvimento”.

Nova governança e liderança no Grupo R-20

Após 18 anos de existência, o Grupo R-20 oficializou seu Regimento Interno, estruturando-se em plenária, comissões regionais e câmaras temáticas para atuar de forma mais eficiente. Bernardo Zanini Fadel, diretor de Desenvolvimento Sustentável e Inovação da Sedest, assume a presidência do grupo com o compromisso de realizar um verdadeiro raio-X da gestão dos resíduos sólidos no Paraná.

Fadel destacou que o objetivo é entender as particularidades de cada consórcio e município para buscar soluções técnicas eficazes. Segundo ele, o R-20 será uma bússola técnica com o propósito claro de zerar os lixões no estado, alinhando governança, tecnologia e cooperação entre as cidades.

Inovações tecnológicas para transformar resíduos em energia e recursos

No evento, foram apresentadas soluções inovadoras que vão muito além do simples aterro de resíduos. O programa Composta Paraná, por exemplo, incentiva a compostagem para desviar a maior fração dos resíduos, os orgânicos, dos aterros sanitários, criando um ciclo sustentável.

Outra iniciativa destacada foi o tratamento térmico de rejeitos, com destaque a experiência de Ponta Grossa, que utiliza pirólise e gaseificação para gerar energia térmica e biochar, um tipo de biocarvão. Além disso, as energias renováveis, como biometano e hidrogênio verde, também foram citadas como alternativas para descarbonizar as frotas municipais e aumentar a segurança energética.

Para reforçar a inovação, o Consórcio Intermunicipal para Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos (Conresol), que atende à Região Metropolitana de Curitiba, lançou um edital de credenciamento de tecnologias, buscando ampliar o uso de soluções tecnológicas para gestão eficiente e sustentável dos resíduos.

Compromisso com o futuro sustentável do Paraná

A transformação da gestão de resíduos sólidos no Paraná mostra um compromisso com o futuro sustentável, aliando inovação, governança estruturada e cooperação municipal. A expectativa é que até 2026 os avanços tecnológicos e a mobilização dos municípios resultem na erradicação dos lixões a céu aberto, transformando o que hoje representa um problema ambiental em soluções econômicas e sustentáveis para toda a população.

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