Presença feminina nos Colégios Cívico-Militares do Paraná alia disciplina e acolhimento ao apoiar adolescentes em situações de vulnerabilidade social e familiar
No Dia Internacional das Mulheres, destaque para a trajetória das sargentos Irene de Lourdes Galvão e Mariangela Candeo Correa, monitoras dos Colégios Cívico-Militares (CCM) de Curitiba, que mostram como o cuidado e a disciplina podem caminhar juntos no ambiente escolar. Elas reforçam que a atuação feminina é essencial para a liderança e formação integral dos jovens, por meio de escuta, diálogo e exemplo.
Com décadas de experiência na Polícia Militar, Irene e Mariangela integram o Corpo de Militares Estaduais Inativos Voluntários (CMEIV) e atuam diretamente no cotidiano escolar, promovendo um ambiente respeitoso e organizado, além de serem referências para os estudantes, especialmente para as meninas. Conforme informação divulgada pelo g1, a presença delas representa uma importante estratégia pedagógica para humanizar e fortalecer a convivência dentro das unidades escolares.
A seguir, entenda como essas mulheres vão além do papel tradicional de monitoras para criar um espaço seguro e acolhedor para os alunos.
Mais que disciplina: atenção ao contexto social dos estudantes
Irene atua no CCM Senhorinha Sarmento e soma 35 anos de serviço na Polícia Militar. Para ela, a disciplina não pode ser medida só pelo cumprimento de regras, mas deve partir do conhecimento da história e das dificuldades pessoais dos alunos. “Antes de cobrar, a gente precisa entender a história daquele aluno. Muitos vivem situações difíceis fora da escola. A gente orienta, conversa, tenta mostrar caminhos”, relata.
Ela destaca que esse olhar atento se torna ainda mais importante porque muitos estudantes enfrentam vulnerabilidade social e familiar. O ambiente escolar, por sua vez, acaba sendo um espaço de apoio e referência para esses jovens, onde o respeito e o cuidado se fazem fundamentais.
Escuta e orientação para o equilíbrio emocional dos jovens
Mariangela, que atua no CCM João Loyola e está na função desde 2020, observa que as crianças e adolescentes chegam às escolas com a mente sobrecarregada. O papel da monitora vai além da ordem e da organização, sendo também um suporte emocional. “É importante ter alguém para conversar, orientar, até para brincar dentro do respeito”, afirma.
Ela ressalta que o trabalho das monitoras complementa e não substitui o papel pedagógico dos professores, garantindo que as aulas possam ocorrer com tranquilidade e que a disciplina seja mantida por meio da escuta e do exemplo, e não apenas da imposição.
Liderança feminina e representatividade dentro dos colégios
Ambas as monitoras comprovam que a presença feminina faz diferença no convívio escolar, especialmente para as alunas. Mariangela explica que as meninas se sentem mais à vontade para buscar orientação a partir de questões que envolvem o universo feminino. Já Irene se vê como uma “mãezona” na escola, exercendo liderança e acolhimento com sensibilidade.
O secretário estadual da Educação, Roni Miranda, comenta que a inserção de mulheres como monitoras fortalece o ambiente escolar ao mostrar que a disciplina pode andar lado a lado com escuta e sensibilização. Ele destaca a importância dessa representatividade para ampliar as referências dos alunos e contribuir para sua formação integral.
Monitoras militares: missão e propósito mesmo após a aposentadoria
Para muitas monitoras do programa, como Mariangela, a atividade significa continuar ativa e com propósito após anos dedicados à carreira militar. “Eu acho que é melhor ainda ficar ativo o maior tempo que conseguir, para trabalhar a cabeça, a mente”, resume.
Elas compreendem que disciplinar é preparar os estudantes para o futuro, ensinando limites, organização e responsabilidade, habilidades fundamentais para o convívio social e profissional. Ao acolherem e escutarem, as monitoras transformam regras em caminhos para uma convivência melhor entre os jovens.




