Morte de bebê em Araucária gera protesto enquanto prefeito e secretária de Saúde estão na Disney

Foto: Reprodução.

O que seria o nascimento da primeira filha do casal Genildo Moura e Larissa Ferreira terminou em luto. A bebê Lorena Diniz Moura morreu dois dias após o parto, realizado no Hospital Municipal de Araucária (HMA), na Região Metropolitana de Curitiba. A família acusa a unidade de negligência médica e cobra investigação sobre a condução do atendimento.

De acordo com o relato do pai, Larissa deu entrada no hospital na manhã do dia 10 para iniciar a indução do parto, já que a gestação estava com uma semana de atraso. Segundo Genildo, o procedimento começou ainda pela manhã e se estendeu ao longo do dia, com intensificação das dores durante a noite e madrugada.

Ele afirma que a esposa permaneceu por horas em trabalho de parto, sendo orientada a adotar diferentes posições e levada ao chuveiro na tentativa de evolução para parto normal. Conforme o depoimento, tanto ele quanto Larissa pediram a realização de cesariana diante da dor intensa e da dificuldade no nascimento, mas a equipe médica teria mantido a tentativa de parto normal.

A cesariana foi realizada apenas por volta das 10h50 da manhã do dia seguinte, quando, segundo o pai, já não havia mais evolução. Lorena nasceu em estado grave, sem chorar e com sinais vitais fracos. A equipe realizou manobras de reanimação e a recém-nascida foi encaminhada à UTI neonatal. Após 48 horas internada, ela não resistiu.

Genildo afirma que a gravidez era considerada de risco e que o casal possui exames e documentos médicos que indicariam essa condição. Ele também registrou boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Araucária. Segundo a família, não foi solicitada autópsia, já que o atestado de óbito foi emitido pela médica responsável.

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O caso gerou mobilização na cidade. Uma manifestação está marcada para esta quinta-feira (19), às 15h30, em frente à Prefeitura Municipal de Araucária. Familiares, amigos e moradores devem participar do ato pedindo esclarecimentos e apuração dos fatos.

O episódio também repercutiu nas redes sociais, com críticas à administração municipal. O prefeito de Araucária, Gustavo Botogoski, e a secretária municipal de Saúde, Renata Botogoski, estão em viagem à Disney no período em que o caso ganhou repercussão.

NOTA OFICIAL – SMSA / PREFEITURA DE ARAUCÁRIA

A Secretaria Municipal de Saúde de Araucária informa que está ciente do caso ocorrido no dia 11, no Hospital Municipal de Araucária, envolvendo óbito neonatal após atendimento obstétrico. A administração municipal lamenta profundamente o ocorrido e se solidariza com a família da criança.

O Hospital Municipal de Araucária é gerido por Organização Social, conforme contrato de gestão vigente. À Secretaria Municipal de Saúde compete a fiscalização e o acompanhamento dos serviços prestados.

Diante do ocorrido, a SMSA solicitou formalmente à Organização Social responsável pela gestão do hospital relatório técnico detalhado sobre o atendimento realizado, incluindo análise dos registros em prontuário e dos procedimentos adotados pela equipe assistencial.

A Secretaria informa que, conforme determina a legislação, todos os óbitos maternos e infantis são submetidos à apuração por comissões técnicas específicas, entre elas:

* Comissão de Revisão de Prontuários
* Comissão de Óbito
* Comissão de Investigação de Óbito Materno e Infantil, conforme protocolos estaduais

Essas instâncias realizam avaliação criteriosa dos fatos, com base técnica e documental, garantindo a devida apuração.

A Secretaria Municipal de Saúde acompanhará integralmente o processo de análise e adotará as providências administrativas cabíveis, caso sejam identificadas inconformidades.

A Prefeitura de Araucária reafirma seu compromisso com a fiscalização dos serviços de saúde contratualizados, com a transparência e com a melhoria contínua da assistência prestada à população.

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