Um estudo inédito da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) indica que uma eventual mudança na jornada de trabalho no Brasil, com adoção de modelos como 5×2 ou 4×3, tende a gerar impactos diferentes entre os setores da economia paranaense. De acordo com o levantamento, comércio e micro e pequenas empresas seriam proporcionalmente mais afetados do que a indústria de médio e grande porte.
A análise parte da estrutura do emprego formal no Estado e identifica duas realidades distintas. De um lado está a indústria, com maior presença de empresas médias e grandes, majoritariamente enquadradas no regime tributário geral. De outro, o comércio varejista, que se apoia principalmente em micro e pequenas empresas vinculadas ao Simples Nacional. Essa diferença, segundo o estudo, interfere diretamente na capacidade de reorganizar escalas e absorver mudanças na jornada.
O levantamento destaca que tratar o mercado de trabalho como homogêneo ignora fatores estruturais relevantes, como porte empresarial e regime tributário, que influenciam custos e viabilidade de ajustes operacionais. No Paraná, a indústria concentra a maior parte dos vínculos formais no regime geral, enquanto o comércio ganha destaque relativo no Simples Nacional.
Outro ponto observado é o papel do varejo na geração de empregos. O setor lidera as admissões formais no Estado e apresenta características como maior rotatividade e necessidade constante de cobertura de horários e picos de demanda. Esse perfil operacional, conforme a Faciap, aumenta a sensibilidade do comércio a alterações na jornada.
A entidade ressalta ainda que empresas de maior porte contam com maior redundância de pessoal, automação e estruturas de turnos, o que facilita a adaptação a novos modelos. Já micro e pequenas empresas, que operam com equipes enxutas e gestão direta do proprietário, enfrentam custos mais elevados para reorganizar escalas, planejar folgas e garantir cobertura de atendimento.
Na prática, a adoção de modelos como o 4×3 exigiria um redesenho operacional mais profundo no comércio do que na indústria. Segundo a Faciap, quanto menor a empresa, maior tende a ser o custo de coordenação das escalas e menor a capacidade de absorver mudanças por meio de tecnologia ou reorganização mais complexa.
A federação alerta que alterações uniformes na legislação, sem considerar diferenças de porte, setor e regime tributário, podem produzir efeitos assimétricos no mercado de trabalho paranaense. Para a entidade, o debate sobre jornada deve contemplar a realidade das micro e pequenas empresas, que formam a base do emprego formal no comércio e lideram o fluxo de admissões no Estado.
O estudo integra a agenda técnica da Faciap sobre mercado de trabalho e ambiente de negócios no Paraná e tem como objetivo contribuir com o debate público a partir de evidências regionais sobre os possíveis impactos de mudanças na legislação trabalhista.





