Mesmo com queda no endividamento, inadimplência cresce entre famílias no Paraná, aponta Fecomércio PR

Foto: Ilustração.

O percentual de famílias endividadas no Paraná registrou queda em março e atingiu o menor patamar dos últimos dez anos. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) em conjunto com a Fecomércio PR.

De acordo com o levantamento, 84,4% das famílias paranaenses declararam possuir algum tipo de dívida no mês passado. O índice é inferior aos 88,1% registrados em março de 2025, consolidando uma tendência de redução do endividamento no estado ao longo do último ano.

Apesar desse recuo, os indicadores de inadimplência apresentaram avanço no mesmo período. A parcela de famílias com contas em atraso subiu para 15,5%, acima dos 11,8% verificados um ano antes. Já o percentual de consumidores que afirmam não ter condições de quitar suas dívidas passou de 2,6% para 3,7% na comparação anual. Ainda assim, o Paraná segue entre os estados com melhor desempenho no ranking nacional de inadimplência.

No cenário nacional, a situação se mostra mais pressionada. O índice de famílias endividadas no Brasil chegou a 80,4%, enquanto a inadimplência permaneceu elevada, atingindo 29,6%. Já a proporção de brasileiros sem condições de pagar dívidas ficou em 12,3%.

Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos no Paraná, o nível de endividamento permaneceu praticamente estável entre fevereiro e março, em 85,2%. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve recuo significativo, já que o índice era de 88,5%. Por outro lado, os atrasos aumentaram na variação mensal, passando de 15,8% para 16,4%, enquanto a parcela sem condições de pagamento subiu de 3,4% para 3,8%.

Já no grupo com renda superior a dez salários mínimos, o endividamento se manteve em 81% na comparação mensal, mas apresentou queda relevante frente aos 86,3% registrados um ano antes. Nesse segmento, a inadimplência teve leve redução, passando de 12,5% para 11,9%. Em contrapartida, o percentual de famílias sem condições de quitar dívidas avançou de 1,8% para 3% em relação a fevereiro de 2026.

O levantamento também aponta que o cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento, citado por 94,1% das famílias. Em seguida aparecem o financiamento de veículos, com 7,9%, e o financiamento imobiliário, com 6,6%. Houve ainda crescimento no uso do crediário em carnês, que passou de 2,8% para 5,5% na comparação anual, além do crédito pessoal, que avançou de 0,3% para 3%.

O cenário indica que, embora o número de famílias com dívidas esteja em queda no Paraná, o aumento da inadimplência acende um alerta sobre a capacidade de pagamento dos consumidores.

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