A educação dentro do sistema prisional do Paraná apresentou avanços importantes ao longo de 2025, com aumento na participação de pessoas privadas de liberdade em programas de escolarização e exames nacionais. Os resultados reforçam o papel da formação educacional como instrumento de transformação social e como etapa relevante no processo de reintegração após o cumprimento da pena.
De acordo com a diretora-geral da Polícia Penal do Paraná (PPPR), Ananda Chalegre, uma das prioridades do trabalho educacional nas unidades penais é ampliar o acesso aos estudos, principalmente entre custodiados que não concluíram a escolarização na idade adequada ou que já estavam afastados da escola antes do início do cumprimento da pena. Para atender essa demanda, o sistema conta com a atuação de professores e pedagogos, permitindo que, ao deixar o sistema prisional, o indivíduo esteja com a situação escolar regularizada e tenha condições de dar continuidade à formação, inclusive com possibilidade de ingresso no ensino superior.
Os números de participação em exames nacionais refletem esse avanço. No Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade ou sob Medida Socioeducativa (Enem PPL), mais de 7,6 mil pessoas participaram da aplicação das provas no Paraná em 2025. O exame mantém o mesmo nível de exigência do Enem regular e é aplicado dentro das unidades prisionais e socioeducativas definidas pelos estados.
Outro destaque foi o Encceja PPL, que registrou 12,5 mil inscrições no Estado, configurando o maior número já contabilizado. Desse total, 6.899 inscrições foram destinadas à certificação do Ensino Fundamental e 5.652 ao Ensino Médio. Os dados indicam aumento do interesse dos custodiados pelas avaliações educacionais e demonstram o alcance das políticas educacionais desenvolvidas pela Polícia Penal em parceria com órgãos da área da educação.
No âmbito regional, o Complexo Penitenciário de Piraquara apresentou resultados expressivos ao longo do ano letivo de 2025. Foram 606 conclusões da Fase I do Ensino Fundamental e 313 da Fase II no formato presencial. Além disso, 841 custodiados obtiveram certificação da Fase II do Ensino Fundamental por meio de exames nacionais. No Ensino Médio, 171 estudantes concluíram a etapa presencialmente, enquanto 559 conquistaram a certificação por meio das provas nacionais.
A diretora de Tratamento Penal da PPPR, Marilú Kátia da Costa, destacou que a integração entre educação e sistema penal é considerada fundamental para tornar a execução penal mais efetiva. Segundo ela, a parceria contribui para a redução da reincidência criminal e fortalece iniciativas ligadas à justiça restaurativa, com foco em oferecer novas oportunidades e condições reais de reintegração social.
Os resultados registrados ao longo do ano reforçam a importância da manutenção e ampliação da oferta de educação formal dentro das unidades penais, ampliando oportunidades e contribuindo para a construção de novos projetos de vida para a população privada de liberdade.




