No Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado neste sábado (31), a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa) reforçou as ações de prevenção e tratamento voltadas ao combate ao tabagismo. O Estado também chama a atenção para os danos causados pelo cigarro convencional e pelos dispositivos eletrônicos, cujo consumo tem aumentado principalmente entre os jovens.
Nos últimos anos, a rede de atendimento para pessoas que desejam abandonar o vício cresceu significativamente. Atualmente, 336 municípios paranaenses oferecem serviços ligados ao Programa Estadual de Controle do Tabagismo (PECT), número superior ao registrado em 2019, quando 251 cidades contavam com a estrutura. O atendimento é realizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A ampliação da rede também se reflete nos estabelecimentos de saúde preparados para acompanhar fumantes. Hoje, 1.184 unidades contam com equipes capacitadas para oferecer suporte especializado. O tratamento envolve acompanhamento profissional, atividades individuais ou em grupo e, quando necessário, utilização de medicamentos e terapias de reposição de nicotina.
Dados da Secretaria da Saúde mostram que, entre setembro e dezembro de 2025, mais de 6,5 mil pessoas participaram das ações de cessação do tabagismo no Paraná. As mulheres representaram a maioria dos atendimentos, correspondendo a pouco mais de 58% do total. Os homens somaram cerca de 42% dos participantes.
A maior parte dos pacientes acompanhados estava na faixa etária entre 18 e 59 anos, grupo que concentrou mais de 70% dos atendimentos. Pessoas com 60 anos ou mais também tiveram participação significativa, enquanto menores de idade representaram uma parcela menor dos registros.
Segundo o secretário estadual da Saúde, César Neves, o fortalecimento da política pública busca ampliar o acesso da população a tratamentos especializados e aumentar as chances de sucesso para quem pretende abandonar o cigarro.
Além do incentivo à cessação do tabagismo, a Sesa destaca os impactos que o hábito provoca na saúde da população. Entre janeiro e março deste ano, o Paraná registrou 13.491 internações relacionadas a doenças cardiovasculares. No mesmo período do ano anterior, haviam sido contabilizados 12.570 casos, cenário que reforça a preocupação com fatores de risco associados a essas enfermidades.
Especialistas alertam que o cigarro continua entre as principais causas evitáveis de problemas cardiovasculares, doenças respiratórias e diversos tipos de câncer. O cardiologista Maurício Dallagrana, diretor clínico do Hospital Infantil Waldemar Monastier, explica que o tabagismo aumenta consideravelmente a probabilidade de ocorrência de infarto, acidente vascular cerebral, impotência sexual e obstruções arteriais que podem exigir intervenções cirúrgicas de urgência.
O médico também destacou os riscos dos cigarros eletrônicos. Segundo ele, embora muitas pessoas considerem os dispositivos uma alternativa menos prejudicial, eles podem fornecer elevadas quantidades de nicotina e outras substâncias capazes de comprometer a saúde cardiovascular e pulmonar, além de estarem associados ao aumento do risco de câncer.
A aposentada Roszangela Abbud, de 66 anos, é um exemplo de quem conseguiu superar a dependência após décadas fumando. Ela contou que iniciou o hábito ainda na adolescência e enfrentou diversas tentativas frustradas antes de conseguir abandonar o cigarro aos 56 anos. Hoje, afirma que leva uma rotina mais ativa, pratica exercícios regularmente e percebe melhorias significativas na disposição e na qualidade de vida.
A orientação da Secretaria da Saúde é que pessoas interessadas em deixar o cigarro procurem a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima para obter informações sobre os programas de tratamento disponíveis na rede pública.

