Lula desce à Sapucaí e vira enredo em desfile com críticas a Bolsonaro

Foto: Ricardo Stuckert/PR

A Acadêmicos de Niterói abriu o Carnaval do Rio de Janeiro com um desfile dedicado à trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A apresentação, acompanhada pelo próprio chefe do Executivo na Marquês de Sapucaí, percorreu momentos da vida pessoal e política do petista e incluiu referências a adversários políticos, programas sociais e debates recentes do cenário nacional.

Durante cerca de 79 minutos, a escola narrou a infância de Lula no agreste de Pernambuco, a migração para São Paulo e a atuação sindical no ABC Paulista, até chegar ao terceiro mandato como presidente da República. Artistas interpretaram personagens ligados à história do presidente, como dona Lindu, mãe de Lula, e a ex-primeira-dama Marisa Letícia. Um boneco gigante do presidente encerrou o desfile no último carro alegórico.

Em um dos momentos mais comentados da noite, Lula deixou o camarote municipal e desceu à pista para beijar o pavilhão da escola e acompanhar a apresentação ao lado do prefeito do Rio, Eduardo Paes. A presença do presidente na avenida ocorreu apesar da previsão inicial de que ele assistiria ao desfile apenas do camarote, acompanhado de ministros.

A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, não desfilou como previsto. Segundo informações divulgadas pela imprensa, ela teria desistido da participação após orientações relacionadas a possíveis questionamentos eleitorais. A cantora Fafá de Belém ocupou o espaço no carro alegórico. Outros ministros também não participaram da apresentação na pista.

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O desfile incluiu críticas e provocações a adversários políticos. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi representado em alegorias e na comissão de frente por um personagem caracterizado como palhaço, com tornozeleira eletrônica, além de referências à pandemia da covid-19. Houve também encenações que mencionaram Dilma Rousseff e Michel Temer, em alusão à transição de governo e ao impeachment de 2016.

Uma das alas fez referência a Eduardo Bolsonaro, enquanto outra representou o Partido dos Trabalhadores com o uso da estrela e da cor vermelha, sem a exibição do número 13, em atenção a recomendações de especialistas em direito eleitoral. O samba-enredo mencionou, de forma indireta, o número ao citar os 13 dias da viagem de Lula ainda criança para São Paulo.

O desfile também destacou programas sociais implementados nos primeiros mandatos do presidente, como Bolsa Família, Prouni, Luz para Todos e Minha Casa, Minha Vida. Uma ala abordou a proposta de fim da escala 6×1, promessa defendida por Lula, e trouxe elementos visuais relacionados à jornada de trabalho. No trecho final, a escola fez menção à política de isenção do Imposto de Renda para rendas mais baixas e à taxação de pessoas de maior renda.

A apresentação ocorreu sob forte repercussão política e nas redes sociais. O desfile marcou a abertura oficial da programação do grupo especial na Sapucaí e reforçou a presença de temas políticos na maior festa popular do país.

 

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