O Instituto Água e Terra (IAT) concluiu nesta quarta-feira (1º) uma operação que levou ao fechamento de um criadouro irregular de animais silvestres em Cantagalo, na região Centro-Sul do Paraná. Ao todo, 38 animais foram apreendidos no local, sendo 29 cutias e 9 pacas.
A ação teve início no dia 20 de março e mobilizou técnicos de diferentes regionais do instituto, com apoio da sede em Curitiba e de equipes do Litoral e de Foz do Iguaçu. O estabelecimento funcionava com a Licença de Operação vencida e não atendeu às exigências necessárias para a regularização, o que resultou na autuação do responsável por crime ambiental.
Durante a vistoria, os técnicos identificaram diversas irregularidades no manejo dos animais. O espaço não oferecia assistência veterinária, alimentação adequada nem controle zootécnico. Também não havia qualquer documentação que comprovasse a origem das espécies mantidas no local.
A operação resultou em R$ 67 mil em multas. Desse total, R$ 59,5 mil referem-se à apreensão dos animais — com valores calculados por unidade — enquanto R$ 7,5 mil correspondem à falta de documentação obrigatória para o funcionamento do criadouro.
Após a autuação, o IAT iniciou o processo de destinação dos animais para empreendimentos licenciados, onde eles passarão por acompanhamento e serão inseridos em programas de conservação. A proposta é permitir, sempre que possível, a reintrodução das espécies em seus habitats naturais.
O manejo envolveu etapas como captura, avaliação clínica, identificação e marcação dos animais. O trabalho contou com uma equipe de 10 servidores do instituto e o apoio de veterinários do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Estadual do Centro-Oeste, em Guarapuava. Na sequência, os animais foram encaminhados para três estruturas conservacionistas localizadas em Foz do Iguaçu.
Entre as espécies apreendidas, a paca é considerada vulnerável no Paraná. Trata-se de um roedor de médio a grande porte, que pode atingir até 70 centímetros e pesar entre seis e 12 quilos. Já a cutia é menor, com peso entre 1,5 e 5 quilos, e costuma viver em ambientes florestais, próximos a cursos d’água.
Segundo o instituto, o objetivo principal desse tipo de operação é garantir a proteção da fauna nativa, aliando fiscalização com ações de reabilitação e conservação das espécies.
O IAT orienta que casos de animais silvestres feridos ou denúncias de irregularidades sejam comunicados à Ouvidoria do órgão ou pelo Disque Denúncia 181, com o maior número possível de informações para facilitar o atendimento.



