Uma gralha-azul (Cyanocorax caeruleus), resgatada ainda filhote no Litoral do Paraná, está prestes a ganhar um novo destino. Após mais de um ano sob cuidados do Instituto Água e Terra (IAT) e de instituições parceiras, a ave será encaminhada ao Zoológico de Curitiba, onde passará a integrar um programa de reprodução assistida da espécie.
O animal foi encontrado em novembro de 2024, em uma escola de Paranaguá, com uma lesão na asa. Desde então, passou por tratamento e acompanhamento especializado. Durante esse período, foi constatado que a ave não possui condições de retorno à natureza, o que motivou sua inclusão em projetos voltados à conservação.
Após os primeiros cuidados realizados pelo IAT, a gralha foi encaminhada ao Centro de Atendimento à Fauna Silvestre do Centro Universitário Filadélfia (Unifil), em Londrina, onde permaneceu em isolamento para a realização de exames. Posteriormente, foi transferida para a Casa das Araras Zoo, em Iguaraçu, empreendimento licenciado pelo órgão ambiental.
Agora, com liberação veterinária, a ave aguarda apenas a autorização para transporte até a capital. No Zoológico de Curitiba, ela ficará junto a um macho da mesma espécie, já residente no local, com o objetivo de contribuir para a continuidade populacional da gralha-azul em ambiente controlado.
De acordo com o coordenador de Fauna do IAT no Litoral, Rafael Galvão, a mudança também busca melhorar o bem-estar do animal. No local onde estava anteriormente, a ave apresentava dificuldades de interação com outros indivíduos, o que gerava estresse. A convivência com um exemplar da mesma espécie deve favorecer sua adaptação e qualidade de vida.
Símbolo do Paraná, a gralha-azul desempenha papel fundamental na dispersão de sementes, especialmente do pinhão, contribuindo diretamente para a preservação das florestas de araucária. A espécie pode atingir cerca de 39 centímetros de comprimento e apresenta coloração azul intensa, com áreas pretas na cabeça, pescoço e parte superior do peito. Com hábitos onívoros, alimenta-se de frutos, sementes, pequenos animais e também restos de alimentos.
O IAT orienta que, ao encontrar animais silvestres feridos ou em situação de risco, a população entre em contato com a Ouvidoria do órgão ou utilize o Disque Denúncia 181, informando de forma precisa a localização e as circunstâncias da ocorrência, o que contribui para um atendimento mais ágil e eficiente.



