III Fórum dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável destaca a importância da pesquisa, inovação e governança para acelerar as metas da Agenda 2030 no Brasil
O III Fórum dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) “Da Pesquisa à Ação”, realizado até 18 de março no Campus da Indústria da Fiep, traz um debate essencial sobre como o conhecimento científico, a inovação e a cooperação multinível podem gerar soluções concretas para os desafios do desenvolvimento sustentável.
O evento, promovido pela Fundação Araucária e pela Superintendência Geral de Desenvolvimento Econômico e Social (SGDES), integra a agenda da Coalizão Local2030, plataforma do sistema das Nações Unidas dedicada à implementação dos ODS.
Conforme informações divulgadas pela Fundação Araucária, especialistas nacionais e internacionais destacam que o sucesso da Agenda 2030 depende do diálogo entre ciência, política e diversidade cultural, além de políticas públicas focadas na realidade local.
Ciência e inovação como motores para a transformação territorial sustentável
O fórum enfatizou que a ciência não deve ser apenas teórica, mas uma ferramenta aplicada para gerar transformação real nos territórios. Diego García da Rosa, gerente de Desenvolvimento Territorial da Agência Nacional de Desenvolvimento do Uruguai (ANDE), ressaltou que “a inovação não deve ser um conceito abstrato, mas uma ferramenta aplicada. A transformação ocorre quando o conhecimento acadêmico encontra o setor produtivo local”.
Este alinhamento entre setores é fundamental para construir territórios resilientes, capazes de enfrentar desafios ambientais e sociais. Luiz Márcio Spinosa, diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, ressaltou que a agenda 2030 não é um horizonte distante, mas sim a métrica para decisões que precisam ser convertidas em políticas públicas eficientes.
Dados, governança inclusiva e saberes ancestrais reforçam a implementação dos ODS
O vice-chefe do secretariado da Coalizão Local2030 das Nações Unidas, Iñigo Arbiol, destacou que “o sucesso da Agenda 2030 será decidido nos territórios” e que para isso são necessários dados precisos, ciência rigorosa e diálogo constante com a realidade social e política.
Na discussão sobre governança territorial, a ministra das Mulheres e Diversidade da Província de Buenos Aires, Estela Díaz, afirmou que as políticas públicas devem ser inclusivas, contemplando gênero e diversidade, além de fortalecer os centros Local2030 como nós de conexão entre governos e organismos internacionais para que os ODS saiam do papel.
Paralelamente, a reitora da Universidade Estadual de Cagayan, Giged Battung, trouxe à tona a importância dos saberes indígenas e locais, alertando para a necessidade de “descolonizar” o conhecimento tradicional, integrando técnicas antigas e tecnologias modernas para uma resiliência territorial autêntica.
Infraestrutura básica e universidades como aliadas no combate às mudanças climáticas
O painel sobre desenvolvimento econômico e social ressaltou o papel essencial dos serviços públicos e infraestrutura básica como a primeira linha de defesa diante das mudanças climáticas. Baldomero Lago, diretor do Escritório Internacional da Universidade de Utah Valley, sinalizou que “as universidades devem atuar como parceiras das gestões locais para criar soluções de baixo custo e alto impacto social, garantindo serviços essenciais mesmo em momentos de crise”.
Este enfoque mostra a relevância da integração entre pesquisa acadêmica e necessidades reais da população, ampliando o potencial de respostas rápidas e eficazes frente às alterações climáticas e seus impactos sociais.
Continuidade do fórum e foco na ciência, inovação e comunidades
O evento segue até esta terça-feira, 17 de março, com painéis que exploram temas relacionados a ciência, inovação e o papel das comunidades no desenvolvimento sustentável. A iniciativa reafirma o compromisso de transformar conhecimento em ações efetivas para alcançar as metas globais da Agenda 2030, reafirmando a importância de um diálogo ampliado e multidisciplinar.
Assim, o III Fórum dos ODS se consolida como um espaço vital para aprofundar diagnósticos e construir soluções integradas, a partir de dados precisos e colaboração entre setores, em defesa de territórios mais resilientes e inclusivos frente aos desafios do século XXI.



