O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que pretende protocolar uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) questionando o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na noite de domingo (15), no Rio de Janeiro. A manifestação ocorreu após a apresentação da agremiação na Marquês de Sapucaí.
Em publicação nas redes sociais, o parlamentar declarou que irá acionar a Justiça Eleitoral sob a alegação de que houve uso de recursos públicos para promover o Partido dos Trabalhadores (PT). Ele também criticou trechos do desfile que fizeram referências ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a pautas associadas à direita, afirmando que houve ataques pessoais e ofensa a valores ligados à família.
A apresentação da Acadêmicos de Niterói abordou a trajetória política de Lula e incluiu alas com críticas ao que a escola definiu como “neoconservadorismo”. Entre os segmentos retratados estavam representantes do agronegócio, evangélicos, defensores da ditadura militar e integrantes da classe alta. Uma das alas utilizou fantasias em formato de latas de conserva, com ilustrações de uma família tradicional.
A repercussão do desfile mobilizou outros integrantes da oposição. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que, caso uma homenagem semelhante tivesse ocorrido durante o governo Bolsonaro, as consequências jurídicas seriam diferentes. Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), declarou que irá recorrer à Justiça por entender que houve preconceito religioso na representação de evangélicos durante o desfile.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também comentou o evento ao compartilhar imagens de um carro alegórico que fazia alusão a Bolsonaro. Ela destacou que o atual presidente já foi condenado judicialmente por corrupção, ressaltando que se trata de registro oficial. O presidente do partido Novo, Eduardo Ribeiro, informou que a legenda apresentou ação ao TSE apontando possível propaganda eleitoral antecipada e afirmou que pretende pedir a inelegibilidade de Lula caso haja registro de candidatura à reeleição.
Até o momento, não houve manifestação oficial da escola de samba ou do governo federal sobre as declarações da oposição. O caso pode ampliar o debate jurídico e político sobre os limites entre manifestações culturais, liberdade artística e legislação eleitoral.





