Depois de mais de duas décadas enfrentando a dependência química e vivendo em situação de rua, Benedito Djalma Oliveira de Souza, de 64 anos, encontrou uma oportunidade de recomeçar em Curitiba. Com apoio da Prefeitura e acompanhamento de equipes da área social e da saúde, ele retomou os estudos, iniciou cursos profissionalizantes e agora busca uma colocação no mercado de trabalho para reconstruir a própria vida.
Há cerca de um ano longe das drogas, Benedito mora temporariamente em uma Unidade de Acolhimento da Fundação de Ação Social (FAS) e faz acompanhamento no Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Boqueirão. Segundo ele, a decisão de mudar surgiu após perceber o desgaste físico e emocional provocado pela dependência.
“Cada dia que amanhece é uma vitória”, relata.
Natural de Cananeia, no litoral de São Paulo, Benedito viveu parte da vida na capital paulista, onde trabalhou como segurança, constituiu família e chegou a construir a própria casa e um comércio que garantia o sustento familiar. Também se dedicava à música, tocando banjo em um grupo chamado Simples Sonho.
Após uma decepção amorosa, decidiu deixar São Paulo e veio para Curitiba. Na capital paranaense, passou a enfrentar a dependência química, sobrevivendo da coleta e venda de materiais recicláveis, vivendo nas ruas ao lado do carrinho utilizado para o trabalho.
A mudança começou após o acolhimento realizado por uma profissional da FAS, que lhe ofereceu ajuda em um momento de fragilidade. A partir disso, Benedito foi encaminhado ao Caps Boqueirão, onde passou a receber acompanhamento psicológico, psiquiátrico e suporte de uma equipe multidisciplinar.
O psicólogo Gilberto José Golvêa Filho, que acompanha o caso, destaca a importância do processo de reinserção social e da retomada dos vínculos e projetos de vida.
Segundo ele, acompanhar pacientes em situação de extrema vulnerabilidade retomando sonhos e construindo novos objetivos é uma das experiências mais significativas do trabalho desenvolvido no Caps.
Além do tratamento contínuo, Benedito também voltou a estudar. Atualmente, conclui o ensino médio em aulas noturnas e participa de cursos de Panificação e de Cuidador da Pessoa Idosa pelo Sebrae.
Ele afirma que encontrou identificação na área de cuidados com idosos e que sente satisfação em auxiliar outras pessoas. Enquanto busca uma vaga formal de trabalho, também ajuda moradores e idosos na unidade onde está acolhido.
De acordo com a equipe que acompanha Benedito, a busca pela autonomia financeira e pela reinserção no mercado de trabalho faz parte do atual processo de reabilitação.
Ao falar sobre o presente, Benedito resume o sentimento em uma palavra: felicidade. E revela qual é o próximo sonho. “Ter minha casa própria e poder reconstruir minha vida, reintegrando-me à sociedade.”





