Segundo etapa de vistorias em imóveis danificados pelo tornado em Rio Bonito do Iguaçu visa liberar novos cartões do Auxílio Reconstrução
Conforme informação divulgada pelo Governo do Estado do Paraná, teve início nesta semana a segunda etapa de vistorias em Rio Bonito do Iguaçu, município atingido por um tornado em novembro de 2025. Ao todo, 494 imóveis estão sendo analisados por engenheiros da Defesa Civil Estadual e voluntários do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura do Paraná (CREA-PR), até o dia 6 de março.
Essas avaliações técnicas são fundamentais para elaborar os laudos necessários que servirão de base para o governo emitir uma nova remessa de cartões do Auxílio Reconstrução. O benefício financeiro permite a transferência de recursos para as famílias reconstruirem parcial ou totalmente suas residências afetadas pelo evento climático.
O programa do governo estadual, financiado com recursos do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap) e gerido pela Coordenadoria de Defesa Civil, já destinou R$ 17,8 milhões para os moradores de Rio Bonito do Iguaçu. Desse total, R$ 15,1 milhões foram aplicados na emissão de 592 cartões do auxílio para compra de materiais de construção. Outros R$ 2,7 milhões foram liberados para contratação de mão de obra via vouchers de serviço, segundo informações oficiais.
Como funcionam as vistorias e os laudos técnicos
O trabalho dos oito engenheiros e voluntários consiste em avaliar os danos de cada imóvel para classificar o grau de estrago e indicar o valor do benefício individual. Os pagamentos variam entre R$ 20 mil, R$ 35 mil e R$ 50 mil, conforme os danos identificados, que vão de danos parciais até ruínas completas. O cálculo considera o percentual de estrago, e não o valor de mercado da casa.
Durante as vistorias, o coordenador-executivo da Defesa Civil do Paraná, coronel Ivan Fernandes, destacou que existem casos em que a documentação do imóvel e os dados dos solicitantes registram inconformidades. Essas situações incluem venda não oficializada, falecimento do proprietário e ausência de regularização cadastral, o que impede o repasse imediato do auxílio. O próprio cidadão deve fazer os ajustes necessários para receber o benefício.
Impactos e desafios na reconstrução dos imóveis afetados
O construtor Ardemar Trombim exemplifica o processo: proprietário de dois imóveis na região central da cidade, ele precisou refazer a solicitação do benefício após uma solicitação inicial feita por sua filha, que não era proprietária. Após a vistoria, os laudos foram emitidos e o pagamento do auxílio foi liberado. Ardemar ressaltou que a exigência do número da matrícula do imóvel garante que o cartão seja destinado à pessoa correta.
A prefeitura aponta que cerca de 1.300 edificações sofreram danos pelo tornado, atingindo principalmente a área urbana que concentra a maioria da população de 13,9 mil habitantes. O prefeito Sezar Bovino comenta que muitos moradores ainda não possuem escritura definitiva, o que dificulta a liberação do auxílio.
Gestão e impacto social do Auxílio Reconstrução
A gestão do programa para o repasse dos cartões é feita pela Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef), que foca em atender famílias em situação de vulnerabilidade para auxiliá-las a reerguer as moradias e reorganizar suas vidas após a tragédia. Rogério Carboni, secretário da pasta, afirma que o principal objetivo é garantir suporte financeiro e técnico para que as famílias retomem suas rotinas com segurança e dignidade.
O Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap), criado em outubro de 2023 para apoiar ações de resposta e recuperação de desastres naturais em todo o Paraná, tem sido fundamental no atendimento às famílias afetadas em Rio Bonito do Iguaçu, seja na liberação dos benefícios, seja no suporte técnico à reconstrução.

