Estado do Paraná e Justiça firmam acordo para agilizar decisões judiciais na saúde e reduzir custos públicos

Governo do Paraná, Tribunal de Justiça e TRF-4 firmam parceria inédita para agilizar processos judiciais na saúde e proteger recursos públicos

O Estado do Paraná promoveu uma importante mudança na forma como as decisões judiciais em saúde são tratadas, por meio de acordo firmado entre a Secretaria da Saúde (Sesa), o Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).

Essa parceria inédita resultou em uma Instrução Normativa que estabelece um novo fluxo para atendimento das demandas judiciais, garantindo maior celeridade, previsibilidade e segurança jurídica, além de preservar o erário público de gastos indevidos.

Conforme informação divulgada pela Secretaria da Saúde do Paraná, a medida visa, sobretudo, promover o acesso justo e eficiente aos serviços públicos de saúde, alinhando as decisões judiciais à política do Sistema Único de Saúde (SUS).

Padronização, etapas e colaboração entre Saúde e Justiça

A Instrução Normativa foi desenvolvida conjuntamente por equipes técnicas da Sesa, Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e dos tribunais, que compõem o Comitê Executivo de Saúde do Paraná. Entre as principais inovações está a padronização dos formulários para prescrição de medicamentos e insumos.

A nova regra estabelece que a judicialização só deve ocorrer após esgotadas todas as alternativas terapêuticas disponíveis no SUS. Além disso, a Sesa terá o direito de se manifestar no processo antes da decisão judicial, permitindo uma análise técnica mais profunda de cada caso.

Outro ponto importante é a vedação da indicação de marca específica nos mandados judiciais, garantindo que o fornecimento ocorra com base no princípio ativo do medicamento. Isso evita custos excessivos e impede que a indústria farmacêutica se beneficie indevidamente das decisões judiciais.

Impactos financeiros e otimização de recursos públicos

O secretário da Saúde, Beto Preto, destacou que o novo regramento representa um avanço significativo para a gestão pública em saúde no Paraná. Ele destacou que o Estado mantém o abastecimento integral dos itens previstos, mas a maior parte das demandas judiciais se relaciona a medicamentos de alto custo que não estão oficialmente incluídos ou disponibilizados pelo SUS.

Segundo levantamento da PGE, o valor empenhado para atender ordens judiciais em 2025 ultrapassou R$ 523,9 milhões, com a maior parte destinada à compra de medicamentos. Em 2024, esse gasto foi de R$ 474,1 milhões, o que representa um aumento de 10,5% no último ano.

Com a nova normativa, a expectativa é reduzir custos com demandas judiciais que pedem medicamentos de marcas específicas ou que desrespeitam as alternativas já disponíveis no SUS. Essa economia permitirá ampliar investimentos em políticas públicas que atendam a demanda da população em geral.

Reforço na sustentabilidade do SUS e melhora no atendimento à população

A magistrada Rafaela Mari Turra, coordenadora do Comitê Executivo, enfatizou que o Paraná se destaca por ser o único estado com ato normativo conjunto neste nível, funcionando como referência para o país.

Segundo a magistrada, a normativa traz prazos mais exequíveis e reduz a onerosidade para os cofres públicos, garantindo a sustentabilidade do SUS e respeitando a política pública de saúde. A diretora de Atenção e Vigilância da Sesa, Maria Goretti, reforçou que o acordo representa um avanço na capacidade de resposta às demandas judiciais de forma ágil e justa.

Ela ressaltou que a colaboração entre Saúde e Justiça possibilita identificar as necessidades reais da população e direcionar recursos estrategicamente, fortalecendo as políticas públicas que beneficiam todos os paranaenses.

Judicialização e assistência farmacêutica sob novo controle

O procurador-chefe da Procuradoria de Saúde, Felipe Azevedo Barros, pontuou que o novo regramento traz maior racionalidade à judicialização, respeitando as políticas públicas e a separação dos poderes, e está alinhado ao entendimento do Supremo Tribunal Federal contido na súmula vinculante 61.

Na assistência farmacêutica, que é uma das áreas mais demandas por decisões judiciais, foram distribuídos R$ 443 milhões em medicamentos em 2025, para atender cerca de 13,5 mil pacientes. Os medicamentos oncológicos representam uma parte significativa deste custo, com R$ 100 milhões desembolsados pelo Estado para insumos incorporados ao SUS, mas ainda não disponibilizados pelo Ministério da Saúde.

A área de procedimentos e insumos especiais também apresenta volume expressivo de judicializações, com mais de 2,4 mil atendimentos no último ano, incluindo cerca de 400 pacientes que receberam bombas de insulina. O montante destinado a tratamentos, órteses, próteses e materiais especiais (OPME) foi de R$ 6,6 milhões em 2025.

A Sesa investe em capacitação contínua e na uniformização dos fluxos entre seus 22 Núcleos Regionais para qualificar ainda mais o atendimento e otimizar os gastos públicos.

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