Paraná investe em educação para comunidades quilombolas com foco no pertencimento, inclusão social e valorização dos saberes culturais locais
A educação quilombola no Paraná vem ganhando destaque ao consolidar escolas que atuam diretamente nas comunidades, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a integração social por meio de uma proposta pedagógica alinhada à cultura local.
Essas ações favorecem o acesso de estudantes a uma educação qualitativa e contextualizada, especialmente em regiões que historicamente enfrentam desafios de deslocamento e infraestrutura educacional. A aproximação da escola com o território e a comunidade é a base para o sucesso dessas iniciativas.
Conforme informação divulgada pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR), as unidades educativas têm avançado em infraestrutura, políticas alimentares e diálogo constante com moradores, garantindo educação pública que respeita e valoriza as raízes quilombolas.
Educação contextualizada e integração com a comunidade
O Colégio Estadual Quilombola Diogo Ramos, situado na comunidade João Surá, em Adrianópolis, exemplifica a articulação entre escola e território. Fundado oficialmente em 2008 a partir da demanda da população local, atualmente atende cerca de 24 estudantes, incluindo alunos de núcleos quilombolas próximos.
A diretora e primeira gestora quilombola da escola, Cassiane Aparecida de Matos, destaca que o planejamento pedagógico é construído em diálogo com a comunidade. Reuniões com líderes e moradores definem prioridades, calendário escolar e atividades, garantindo que o ensino reflita as necessidades e tradições locais.
O calendário anual incorpora celebrações religiosas, datas simbólicas e ações dedicadas à valorização da ancestralidade quilombola, com oficinas, rodas de conversa, projetos de memória e atividades culturais conduzidas por líderes e artesãos da região.
Investimentos em infraestrutura e transporte escolar
Em 2025, o Colégio Diogo Ramos recebeu mais de R$ 100 mil em melhorias de infraestrutura por meio do projeto Escola Mais Bonita. Foram realizadas reformas, construção de pisos, calçadas, instalação de aparelhos de ar-condicionado e melhorias no parque infantil, entre outros avanços que ampliaram a qualidade do espaço para alunos e comunidade.
O transporte escolar também foi ampliado, atendendo 20 estudantes com ônibus e micro-ônibus em áreas rurais de difícil acesso, evitando que os jovens recorressem a deslocamentos longos e precários para continuar seus estudos, como acontecia antes da fundação da escola, quando se enfrentavam até 30 quilômetros de estrada de terra.
Alimentação escolar que respeita tradição e cultura quilombola
Por meio do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Educacional (Fundepar), vinculado à Seed-PR, as escolas quilombolas receberam, em 2025, cerca de 16 toneladas de alimentos para compor o cardápio escolar, respeitando os hábitos alimentares tradicionais das comunidades.
Até o momento em 2026, mais de duas toneladas já foram distribuídas, com cerca de 1500 refeições diárias servidas. O cardápio inclui ingredientes típicos, como banha de porco, além de alimentos cultivados pela agricultura familiar quilombola local, como banana, jabuticaba, mandioca, milho e abóbora.
Cassiane Aparecida de Matos ressalta que preparações tradicionais são incorporadas em momentos especiais, reforçando a preservação dos saberes culturais e a nutrição dos estudantes. A diretora-presidente do Fundepar, Eliane Teruel Carmona, enfatiza que a alimentação escolar vai além da nutrição, sendo parte do processo educativo ao valorizar a cultura alimentar da comunidade.
Colégio Maria Joana Ferreira, outra referência em educação quilombola
Além do Colégio Diogo Ramos, o Colégio Estadual Quilombola Maria Joana Ferreira, em Palmas, no sul do Paraná, atende 211 estudantes da comunidade Adelaide Maria da Trindade Batista. As duas unidades seguem propostas pedagógicas voltadas à identidade étnico-cultural quilombola, alinhadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Essas escolas são exemplos do compromisso do Paraná com as comunidades tradicionais, promovendo a educação pública como ferramenta de inclusão social e valorização cultural. A rede estadual ainda integra escolas indígenas e rurais, que mantêm normas e formas de ensino específicas para garantir o direito de aprendizado em consonância com suas realidades.



