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Empresas e imóveis no exterior: o patrimônio milionário da família Requião nos Estados Unidos

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O jornalista político Marc Souza, do portal Ric Mais fez um levantamento e contou que o irmão de Roberto Requião, Eduardo, até hoje não pagou os R$ 26 milhões no processo em que foi condenado por irregularidades no porto de Paranaguá.

A Justiça chegou a bloquear as contas dele, mas não encontrou dinheiro. Por outro lado, filhos do ex-superintendente do terminal têm patrimônio multimilionário, boa parte no exterior.

Apartamentos em Miami e lojas de grife de luxo em Santa Catarina.

O patrimônio de Thiago e Thobias de Mello e Silva, filhos do ex-superintendente dos Portos de Paranaguá e Antonina, Eduardo Requião de Mello e Silva, mostra que os dois têm sucesso nos negócios.

Já o patriarca da família está com as contas quase zeradas.

Condenado a devolver R$ 26 milhões por irregularidades no porto de Paranaguá, até agora a Justiça só encontrou alguns trocados em nome dele. 

Eduardo foi indicado ao cargo pelo irmão, o ex-governador Roberto Requião (PT).

Os filhos dele aparecem como sócios em duas empresas nos Estados Unidos: “Fantine Properties LLC” e a “Cosette Properties LLC”. Ambas têm sedes no estado da Flórida e possuem um patrimônio imobiliário de cerca de US$ 1,5 milhões, mais de R$ 8 milhões no câmbio atual. 

Documentos públicos norte-americanos mostram que há pelo menos dois apartamentos em nome das empresas, um na Jefferson Avenue, e outro na Alton Road, áreas nobres de South Miami Beach, uma das áreas mais valorizadas da região. 

Os filhos Eduardo Requião também têm empresas no Brasil.

Thobias dirige três franquias de uma grife de bolsas e sapatos de luxo em Santa Catarina. As lojas ficam em pontos nobres de Florianópolis, São José e Balneário Camboriú (nesta última é sócio do irmão, Thiago).

O investimento inicial em cada um delas gira em torno de R$ 400 mil, ou seja, só nas três lojas o patrimônio vinculado passa de R$ 1,2 milhões. 

Thobias já foi elogiado em colunas sociais catarinenses pela gestão das lojas.

Especialistas ouvidos pela coluna se surpreenderam com o rápido crescimento do negócio. O “payback”, que é o tempo previsto de retorno financeiro do investimento, ou seja, a obtenção de lucros, conforme informa a própria franquia, é de 24 a 36 meses.

Mas as franquias ligadas aos filhos de Eduardo Requião não precisaram de todo esse tempo. Poucos meses depois, já foram abertas novas lojas da mesma marca.

Operador confirmou à polícia pagamentos no exterior à família de Eduardo Requião 

No ano passado, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Daemon, que investiga corretoras de criptomoedas que teriam, entre outros crimes, operado um esquema de lavagem de dinheiro. O nome de Eduardo Requião, e do filho Thiago, foram citados nas investigações. 

Em depoimento à PF, um dos investigados, que foi gestor de uma das três operadoras portuárias privadas de fertilizantes que atuavam no Porto de Paranaguá na gestão de Requião, disse que houve pagamentos à família de Eduardo Requião no exterior. 

O investigado relatou que em uma ocasião, por meio de operadores, combinou a transferência de US$ 102 mil para uma conta fora do Brasil para Thiago de Mello e Silva, referente à uma dívida que tinha com o ex-superintendente do porto.

Segundo o relatório da investigação que a coluna teve acesso, o suspeito disse que “falava tanto com Thiago como com Eduardo a respeito daquela transferência”.

Operação Dallas

Em 2011, outra operação da PF, a Dallas, também citou Eduardo Requião. O ex-superintendente apareceu nesse caso como autor e beneficiário de crimes, como fraudes em licitações, contratações irregulares, desvios de cargas. 

Na época, o então deputado estadual José Domingos Scarpellini, falecido em 2018, encaminhou um ofício ao Ministério de Relações Exteriores pedindo que fosse recolhido o passaporte diplomático de Eduardo e do filho Thobias, porque o mesmo poderia ser usado para dificultar as investigações.

Eduardo Requião já foi condenado a devolver R$ 26 milhões

Eduardo Requião foi condenado a devolver R$ 26 milhões por irregularidades na contratação de serviços. A decisão, de junho de 2018, foi do juiz Rafael Kramer Braga, da Vara da Fazenda Pública de Paranaguá.

Na época, o magistrado deu três dias para o pagamento da multa, mas quatro anos depois ele não quitou o valor. 

A atual administração do terminal tenta cobrar a dívida, mas só conseguiu recuperar R$ 2.164,90 via sistema Bacenjud, plataforma que conecta o Poder Judiciário às instituições financeiras. O problema é que nada mais foi encontrado nas contas dele.

Outro lado

Procuramos os envolvidos para comentar o assunto, mas até o fechamento da reportagem não obtivemos retorno. O espaço está aberto. 

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