Mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro procurou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enquanto demonstrava preocupação com o avanço das investigações sobre o Banco Master. Dois dias antes de ser preso, o banqueiro chegou a perguntar se deveria deixar o país.
O relatório reúne 52 mensagens enviadas por Vorcaro entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025. Durante esse período, o Master já era investigado, e o empresário buscava informações sobre possíveis medidas da Polícia Federal, do Ministério Público Federal e do Banco Central.
Segundo a investigação, a aproximação entre Vorcaro e Moraes foi intermediada pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. Em dezembro de 2023, ele compartilhou com o banqueiro um número associado ao ministro. Registros encontrados no celular de Vorcaro também indicam que os dois combinaram reuniões.
A PF identificou que o banqueiro escrevia os textos no bloco de notas do aparelho, fazia capturas da tela e as encaminhava pelo WhatsApp como imagens de visualização única. Os investigadores conseguiram recuperar principalmente o conteúdo produzido por Vorcaro. As respostas atribuídas a Moraes não foram acessadas integralmente porque o celular do ministro não foi apreendido.
Em uma mensagem de 30 de outubro de 2025, Vorcaro afirmou ter recebido informações confidenciais de pessoas ligadas ao Banco Central. Ele relatou que havia pressão para a adoção de medidas contra o Master e pediu que Moraes procurasse Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.
Nos dias seguintes, o banqueiro questionou o ministro sobre possíveis buscas, quebras de sigilo e outras decisões judiciais. Também perguntou se sua defesa deveria apresentar uma petição aos órgãos responsáveis para obter informações sobre eventuais inquéritos.
Em 14 de novembro, Vorcaro agradeceu a Moraes e afirmou ter uma “gratidão da vida” pelo ministro. No dia seguinte, ao mencionar a possibilidade de uma operação policial, perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.
Na mesma sequência de mensagens, o empresário questionou se Paulo Gonet ou Andrei Rodrigues poderiam interferir na situação. Em outro momento, pediu que o diretor-geral da PF fosse procurado para tentar adiar uma eventual operação. Vorcaro alegava que precisava de mais alguns dias para concluir uma negociação envolvendo o banco.
Na noite de 17 de novembro, horas antes de ser preso, o banqueiro voltou a procurar Moraes. Ele disse que havia tentado salvar a instituição e perguntou se o ministro tinha conseguido alguma informação ou se havia possibilidade de impedir medidas contra o Master.
Naquele dia, a Fictor Holding Financeira anunciou uma negociação para adquirir o banco. Pouco depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando se preparava para embarcar em uma aeronave particular. No dia seguinte, o Banco Central decretou a liquidação do Master, e a operação com a Fictor não foi concluída.
O material recuperado comprova que os pedidos e questionamentos foram enviados por Vorcaro, mas não permite determinar, de forma isolada, quais respostas foram dadas nem se Moraes atendeu às solicitações. A Procuradoria-Geral da República questionou a validade da apuração, e o ministro não havia apresentado uma manifestação específica sobre o conjunto das mensagens até a divulgação do relatório.



