Deputados do Paraná buscam suspender cobrança integral em pedágios eletrônicos por cobrança abusiva

Deputados estaduais do Paraná planejam ação para suspender cobrança integral em pedágios eletrônicos, questionando sistema aplicado nas rodovias

Os deputados estaduais do Paraná se mobilizam para suspender a cobrança integral de tarifas em pedágios eletrônicos. A medida, que será protocolada na Justiça Federal até o dia 25, surge diante da reclamação de que motoristas pagam valores completos mesmo quando percorrem trechos reduzidos nas rodovias.

Os parlamentares consideram que a prática fere as leis federais 14.157 e 10.233 e viola os princípios da modicidade tarifária e razoabilidade. Eles argumentam que a cobrança não respeita o sistema free flow, que prevê tarifa proporcional ao percurso e que beneficia diretamente os condutores.

Conforme informação divulgada pela Assembleia Legislativa do Paraná, a ação popular é liderada pelos deputados Evandro Araújo e Luiz Claudio Romanelli, com o apoio de outros parlamentares, buscando proteger condutores e moradores lindeiros contra cobranças abusivas.

Pedido de suspensão da cobrança integral e modelo adequado de tarifação

A ação popular ingressada pelos deputados questiona o modelo aplicado em pedágios eletrônicos instalados em trechos do Norte, Noroeste e Sudoeste do Paraná, onde o sistema de cobrança automática passou a valer recentemente. A principal crítica é que independentemente do trecho percorrido, o motorista paga a tarifa cheia, o que é considerado injusto.

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O sistema utilizado não representa fielmente o free flow, pois não calcula o valor proporcional por quilômetro rodado, como exigem as normas federais. Além disso, para quem não possui TAG no veículo, o reconhecimento automático de placas pelo OCR pode gerar multas pesadas de R$ 195,05 caso o pagamento não seja feito em 30 dias, conforme destacado pelo deputado Romanelli.

Os deputados classificam a atual cobrança eletrônica como um “free flow falso” e lembram que tentativas administrativas para solucionar o problema não tiveram retorno efetivo da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) ou das concessionárias envolvidas.

Impacto aos moradores próximos às praças e estado precário das rodovias

O debate também ressaltou o impacto da cobrança para moradores que vivem próximos às praças de pedágio, que acabam onerados diariamente mesmo por deslocamentos curtos essenciais, como visitas familiares ou atendimentos médicos. O deputado Professor Lemos enfatizou que muitos trechos, como da BR-163 e PR-280, estão inacabados e já sofrem com a cobrança.

Essa situação deixa claro o descompasso entre a intenção da inovação tecnológica e a realidade vivida pelas populações locais, que enfrentam acessos mal finalizados e tarifas que não levam em conta o uso efetivo das rodovias.

Propostas de diálogo entre governos e parlamentares reforçam busca por solução

Além da ação judicial, deputados da oposição, como Arilson Chiorato, defendem reuniões entre o governo estadual, a ANTT e representantes do governo federal para discutir alternativas que respeitem a legislação vigente e os direitos dos usuários.

Os parlamentares reafirmam que apoiarão medidas que promovam justiça tarifária, preservando avanços tecnológicos que facilitem o trânsito, mas nunca em detrimento da modicidade das tarifas e do interesse público.

Essa mobilização no Paraná reforça o debate sobre a necessidade de regulação eficiente dos sistemas de pedágio eletrônico, garantindo que as cobranças sejam proporcionais e transparentes, protegendo os cidadãos contra cobranças desproporcionais que oneram o uso cotidiano das rodovias.

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