A Campanha da Fraternidade 2026 ressalta a urgência de superar o déficit habitacional com políticas públicas e ações sociais efetivas para moradia digna
A moradia digna é apontada como um direito fundamental e um dos principais desafios enfrentados pela sociedade brasileira, principalmente para famílias de baixa renda. O deputado Luiz Cláudio Romanelli (PSD), especialista no tema, ressaltou o papel da Campanha da Fraternidade da CNBB, lançada em 2026, que chama a atenção para a necessidade de enfrentar esse problema social grave. Segundo ele, discutir o tema não é suficiente, é preciso implementar soluções reais que promovam o acesso à casa própria e combatam o déficit habitacional.
Com base nas informações divulgadas pelo deputado, o Brasil vive um cenário preocupante, marcado pelo crescimento do número de pessoas em situação de rua, que aumentou 25%, alcançando 328 mil indivíduos, e por mais de 26 milhões de domicílios sem condições básicas de habitabilidade. Romanelli, que tem experiência como secretário de Habitação e presidente da Cohapar, reforça que a casa própria é um alicerce para a dignidade e o bem-estar familiar.
A seguir, detalhamos os principais pontos abordados pelo deputado e os programas que o estado do Paraná adota como referência nacional para amenizar esses desafios.
Moradia é um direito sagrado e essencial para a estabilidade das famílias
Para Luiz Cláudio Romanelli, que esteve à frente da Secretaria de Habitação e da Cohapar por duas gestões, a moradia digna ultrapassa o conceito de privilégio, sendo um direito fundamental. Ele destaca que ter um teto digno sobre a cabeça traz segurança e melhora a qualidade de vida das famílias, principalmente das de baixa renda, que enfrentam o déficit habitacional com atraso e precariedade.
O deputado também enfatiza que o Brasil apresenta uma realidade alarmante, especialmente para os mais vulneráveis. O último censo mostrou que o número de pessoas em situação de rua aumentou em 25%, totalizando 328 mil pessoas, enquanto 26 milhões de domicílios não possuem condições básicas de habitabilidade, refletindo a urgência da mobilização social e política para combater essa situação.
Casa Fácil Paraná: modelo nacional com mais de 130 mil famílias atendidas
Romanelli é um dos principais articuladores das políticas de habitação popular no Paraná. Ele é autor da lei que instituiu, em 2007, o Fundo, o Sistema e o Conselho Estadual de Habitação de Interesse Social. O sistema está frequentemente associado ao programa Casa Fácil Paraná, que desde 2019 já beneficiou mais de 130 mil famílias com um investimento superior a R$ 1,5 bilhão.
O programa alcançou 371 dos 399 municípios do estado e movimentou cerca de R$ 23,9 bilhões na construção civil, o que gerou impacto significativo na geração de empregos e renda. Uma das modalidades de destaque é o Valor de Entrada, que concede subsídio de R$ 20 mil a famílias com renda de até quatro salários mínimos, tornando a aquisição da casa própria mais acessível.
Apoio especial à população idosa e iniciativas para desfavelização
Outra ação significativa do programa Casa Fácil é o benefício ampliado para pessoas entre 60 e 70 anos, que concede até R$ 80 mil de desconto e permite um prazo de financiamento reduzido. Conforme dados da Cohapar e da Caixa, até dezembro de 2025, 274 idosos tinham a análise de crédito aprovada, totalizando R$ 21,9 milhões em aportes estaduais.
O Casa Fácil também contempla o projeto Vida Nova, destinado à construção de condomínios residenciais adaptados para a população idosa em modelo de aluguel social, com moradias que possuem estrutura de lazer e serviços médicos, psicológicos e fisioterápicos. São oito condomínios entregues e outros 24 em andamento, totalizando 1.280 unidades e mais de R$ 244 milhões investidos.
Além disso, o Projeto Casa Fácil – Vida Nova atua no processo de desfavelização e reassentamento de famílias em áreas irregulares ou de risco. Em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o programa recebeu R$ 1 bilhão para construir até 6 mil casas que garantam moradia digna.
Programas federais complementares fortalecem o acesso à moradia no Paraná
Complementando os esforços estaduais, o programa federal Minha Casa, Minha Vida tem parceria ativa com o Paraná, sendo contratadas 142,3 mil moradias. Destas, 133,5 mil foram financiadas pelo FGTS, além de 7,5 mil unidades subsidiadas para famílias de baixa renda na faixa 1. O programa também retomou a construção de 1,4 mil moradias em 81 empreendimentos nessa faixa.
Como destaca Romanelli, somente a união entre governo, sociedade e instituições religiosas pode resultar em avanços concretos na redução do déficit habitacional. A Campanha da Fraternidade de 2026, lançada pela CNBB, é uma convocação para que o Brasil abrace esse desafio e garanta o direito à moradia digna para todos.




