Deputado estadual une ciência e política para preservar cavernas de alto valor ambiental, cultural e científico no Paraná, propondo o tombamento de oito importantes formações naturais
Durante a celebração dos 40 anos do Grupo de Espeleologia do Estado do Paraná (GEEP) Açungui, realizada em 27 de março, o deputado estadual Goura (PDT) anunciou o pedido de avaliação para o tombamento de oito cavernas localizadas em diferentes municípios do Paraná. A iniciativa visa proteger esses ecossistemas frágeis e garantir sua preservação para as futuras gerações.
O ofício foi encaminhado à Coordenação do Patrimônio Cultural do Paraná (CPC), por meio da Secretaria de Estado da Cultura, solicitando estudos técnicos para reconhecer essas cavidades como patrimônio cultural do estado. O evento contou com a presença de pesquisadores e autoridades, reforçando a importância da união entre ciência e poder público na construção de políticas ambientais.
Conforme informações divulgadas pelo GEEP Açungui, o pedido de tombamento inclui cavernas que abrigam ecossistemas únicos, espécies endêmicas e registros geológicos, paleontológicos e arqueológicos relevantes, que são fundamentais para a compreensão da história natural e cultural do Paraná.
Cavernas protegidas: lista e importância científica
As oito cavidades naturais indicadas para tombamento pelo deputado Goura são a Caverna Dá a Volta e a Caverna de Várzea em Dr. Ulysses; a Caverna do Pinhalzinho em Sengés; a Gruta de Campestrinho e a Gruta de Bromados em Rio Branco do Sul; a Gruta de Terra Boa e a Gruta do Pinheirinho em Campo Magro; e a Gruta do Pinheiro Seco em Castro.
Segundo o deputado, essas formações constituem bens de grande relevância científica, ambiental, paisagística e cultural, sendo elementos importantes da geodiversidade e biodiversidade paranaense. Além disso, em muitos casos, apresentam registros importantes que ajudam a ampliar o conhecimento sobre o território e suas transformações.
A bióloga Gisele Sessegolo, doutora em Geografia e associada ao GEEP desde 1986, destacou a reivindicação do tombamento das mesmas cavernas há 20 anos, ressaltando a importância do pedido recente para concretizar essa proteção.
Fortalecimento do patrimônio natural e reconhecimento do GEEP Açungui
Na cerimônia, o coordenador do Patrimônio Cultural do Paraná, Rafael Balestieri, ressaltou que o tombamento significa o fortalecimento do uso sustentável dessas cavernas, protegendo-as das ameaças, como a mineração.
Além do pedido oficial, o deputado Goura entregou uma Menção Honrosa à presidente do GEEP, Gabriele Vidolin, reconhecendo os 40 anos de atuação do grupo em prol do estudo, cadastramento, proteção e divulgação das cavernas paranaenses e brasileiras. Goura ressaltou a colaboração necessária entre os poderes públicos, ciência e academia para a construção de políticas públicas eficazes para a conservação ambiental.
Plano de manejo e história da Gruta da Lancinha, patrimônio tombado
Durante o evento, foi destaque o plano de manejo da Gruta da Lancinha, em Rio Branco do Sul. A gruta, inscrita no Patrimônio Cultural do Paraná desde 1988, é a terceira maior caverna do estado e o primeiro bem espeleológico tombado do Brasil.
Com aproximadamente 1.700 metros de extensão, incluindo o percurso do ribeirão Lancinha, o local apresenta belezas naturais esplêndidas, como estalactites de calcário branco e águas cristalinas. A região possui um potencial turístico significativo e grande importância para pesquisas científicas, devido a seus aspectos geográficos, geológicos e biológicos.
A bióloga Gisele Sessegolo recordou que um dos primeiros atos do GEEP foi um protesto pelo tombamento dessa gruta. Agora, a entrega do plano de manejo representa um passo importante, embora ela ressalte a necessidade de garantir que esse documento seja efetivamente aplicado pelas autoridades, evitando que fique esquecido.
Segundo o registro oficial, a Gruta da Lancinha abriga fauna pouco estudada e pode conter vestígios pré-históricos de ocupação humana, além de fósseis valiosos para o estudo da história natural da região.



