Prefeitos e prefeitas de diversas regiões do Brasil se reuniram nesta terça-feira (24), em Curitiba, para discutir os desafios enfrentados pelas cidades e defender uma distribuição mais equilibrada de recursos públicos. O encontro marca a abertura da 89ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), realizada na Arena da Baixada, com a presença de cerca de 100 gestores municipais.
A principal pauta do encontro gira em torno do financiamento das cidades. De acordo com dados apresentados pela FNP, municípios mais populosos vêm assumindo uma demanda crescente por serviços públicos sem que haja aumento proporcional nas transferências de recursos vindos da União e dos estados. Ao mesmo tempo, parte significativa desses repasses continua concentrada em cidades com menor pressão populacional.
Durante a plenária intitulada “Quem paga a conta? Municípios subfinanciados, serviços precarizados”, o presidente interino da FNP e prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo, destacou a necessidade de ampliar o debate sobre o tema, inclusive no cenário eleitoral. Segundo ele, cidades com maior concentração populacional acabam recebendo menos recursos por habitante, mesmo sendo responsáveis por atender uma demanda maior de serviços públicos.
As discussões também foram embasadas em dados da Plataforma IFEM (Indicadores de Financiamento e Equidade Municipal), apresentada durante o evento. Os números apontam que, entre 2000 e 2024, municípios com população entre 10 mil e 30 mil habitantes registraram crescimento superior a 54% na receita corrente per capita em comparação à média nacional. Em contraste, cidades com população entre 100 mil e 500 mil habitantes tiveram redução de 25% no mesmo indicador.
O levantamento ainda mostra uma mudança significativa no perfil populacional dos municípios brasileiros. No período analisado, a população das 1.100 cidades com menor renda per capita mais que dobrou, passando de 38 milhões para 82 milhões de pessoas. Já nas 1.100 cidades com maior renda per capita, houve queda expressiva, de 44 milhões para 13 milhões de habitantes.
Diante desse cenário, o secretário-executivo da FNP, Gilberto Perre, defendeu a necessidade de revisão dos critérios de distribuição dos recursos públicos, com base em dados atualizados e evidências. A proposta, segundo ele, é garantir maior equilíbrio no financiamento das cidades, considerando as diferentes realidades e demandas.
A reunião da FNP antecede a realização da Smart City Expo Curitiba 2026, que começa nesta quarta-feira (25) e segue até sexta-feira (27). O evento deve reunir mais de 23 mil participantes, entre gestores públicos, especialistas, representantes do setor privado e acadêmicos, ampliando o debate sobre soluções urbanas e inovação nas cidades.
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