Curitiba inicia construção de 21 casas para famílias afetadas por desapropriações do Novo Inter 2

Foto: Valquir Kiu Aureliano/SECOM

Curitiba iniciou neste mês de março a construção de 21 unidades habitacionais destinadas a famílias que foram atingidas por desapropriações necessárias para a execução das obras do Novo Inter 2. As moradias são voltadas a famílias em situação de vulnerabilidade social que residiam em áreas impactadas pelo Programa de Aumento da Capacidade e Velocidade da Linha Direta Inter 2.

O programa conta com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartida da Prefeitura de Curitiba. As novas moradias fazem parte do Subprograma de Habitação Social do Novo Inter 2, criado para atender famílias que precisaram deixar suas residências em razão das intervenções urbanas.

As unidades serão construídas em formato de condomínio em um terreno localizado no bairro Boqueirão. O projeto contempla diferentes tipologias de moradias, incluindo residências com dois ou três quartos, unidades adaptadas para pessoas com deficiência e casas com potencial de uso comercial. As construções terão área entre 50 e 65 metros quadrados.

Entre as características previstas estão sistemas de geração de energia por placas fotovoltaicas e caixas de captação de água da chuva para reuso. O condomínio também contará com áreas comuns de recreação destinadas aos moradores.

A empresa responsável pela obra é a Brasgips Concept, nome de fantasia da Capital ENG Serviços de Engenharia, que venceu a licitação ao apresentar proposta de R$ 5,54 milhões — abaixo do valor máximo previsto no edital, de R$ 6,5 milhões. A empresa é especializada no sistema construtivo modular conhecido como light steel frame, método que permite maior rapidez na execução das obras e menor geração de resíduos em comparação à construção tradicional em alvenaria. O contrato prevê entrega das unidades até dezembro de 2026, condicionada às condições climáticas.

A contratação ocorreu na modalidade integrada, prevista pela Lei Federal 14.133/2021, na qual a empresa vencedora é responsável tanto pela execução das obras quanto pela elaboração do projeto executivo. Segundo a prefeitura, esse formato busca agilizar a implementação das obras e reduzir etapas burocráticas do processo.

O Subprograma de Habitação Social foi estruturado a partir do Plano de Reassentamento Involuntário exigido pelo BID em projetos que envolvem deslocamento de moradores por desapropriações.

De acordo com o coordenador-geral da Unidade Técnico-Administrativa de Gerenciamento de Curitiba (Utag), Marcio Teixeira, todas as famílias impactadas pelas desapropriações do programa foram cadastradas. Ele explica que algumas delas viviam em moradias irregulares ou pertenciam a famílias numerosas, situações em que o valor da desapropriação não garantiria uma realocação adequada.

Nesse contexto, a construção das novas casas busca garantir acesso à moradia definitiva e manter as famílias próximas da área atendida pelo Novo Inter 2.

Enquanto aguardam a conclusão das obras, as famílias recebem auxílio-moradia mensal para custear aluguel de imóveis. A Companhia de Habitação Popular de Curitiba (Cohab) é responsável pelo trabalho social de acompanhamento e mobilização dessas famílias durante o período de transição.

A escolha do terreno no Boqueirão levou em consideração a proximidade com a área de abrangência do projeto de mobilidade urbana. O condomínio fica dentro do trecho correspondente ao Lote 3.1 do Novo Inter 2, que prevê a requalificação de cerca de 22 quilômetros de vias entre os bairros Xaxim e Hauer.

Atualmente, estão em execução as obras do pacote 1, no eixo das ruas Bartolomeu Lourenço de Gusmão e Carlos de Laet, além dos pacotes 2 e 3, que abrangem as ruas Antônio Rebelatto, Angelo Scaramuza e Leôncio Derosso. Já os pacotes 4, 5 e 6 — que incluem intervenções na rua Evaristo da Veiga, na rua Hipólito da Costa e o alargamento do viaduto da Avenida Brasília com requalificação da Estação Xaxim — encontram-se em fase final de licitação, com previsão de início nos próximos meses.

As obras do programa são coordenadas e fiscalizadas pela Secretaria Municipal de Obras Públicas (Smop), com gerenciamento da Utag.

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