Curitiba supera desafios e registra crescimento real nas receitas em 2025, com foco no ajuste do custeio para manter equilíbrio financeiro
O ano de 2025 foi classificado como bom, porém difícil para as finanças de Curitiba, conforme avaliação do secretário de Planejamento, Finanças e Orçamento, Vitor Puppi. Durante a prestação de contas realizada na Câmara Municipal de Curitiba (CMC), foi apresentada uma análise detalhada do desempenho fiscal do Município, que cresceu em receitas, mas precisou enfrentar um reencaixe de custeio para corrigir desequilíbrios acumulados em anos anteriores.
Com base nos dados oficiais, Curitiba arrecadou R$ 14,1 bilhões em 2025, representando um aumento real de 4,98% em relação a 2024, enquanto as despesas tiveram uma redução nominal de 0,81%. O equilíbrio resultou em um saldo primário positivo de R$ 330 milhões e nominal de R$ 819 milhões, sinalizando uma trajetória fiscal saudável.
As informações foram divulgadas pela Câmara Municipal de Curitiba durante a audiência pública da Secretaria de Finanças, coordenada pela Comissão de Economia, Finanças e Fiscalização, presidida pelo vereador Serginho do Posto (PSD).
Crescimento tributário impulsionado por ISS, IPTU e receita crescente em setores chave
A arrecadação tributária totalizou R$ 6,16 bilhões em 2025, com aumento real de 7,86% sobre o ano anterior. O destaque ficou para o Imposto Sobre Serviços (ISS), que atingiu R$ 2,82 bilhões, alta de 15,1%, mantendo a trajetória ascendente dos últimos cinco anos. Apesar das quedas no faturamento dos setores de saúde e apoio técnico, outros segmentos contribuíram para essa expansão, como construção civil, informática, educação e serviços financeiros.
O IPTU seguiu a mesma tendência, registrando crescimento real de 6,83%, com arrecadação de R$ 1,65 bilhão. Já o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) apresentaram leves aumentos de 2,75% e 2,13%, respectivamente, fortalecendo a base tributária municipal.
Controle das despesas e queda nos investimentos impactam equilíbrio orçamentário
Em 2025, as despesas totais somaram R$ 13,02 bilhões, com leve redução nominal de 0,81% em relação ao ano anterior. As despesas correntes cresceram 2,72%, chegando a R$ 11,1 bilhões, sobretudo devido ao aumento nos custos de pessoal, que passaram de R$ 6,36 bilhões para R$ 6,67 bilhões.
No entanto, as despesas de capital sofreram uma queda substancial, alcançando R$ 1,03 bilhão, o equivalente a 41% abaixo do previsto na Lei Orçamentária Anual (LOA), refletindo o ajuste fiscal necessário para retomar o resultado positivo no caixa do Município.
Dívida consolidada de R$ 1,7 bilhão é inferior aos limites legais, Município tem liquidez confortável
O secretário explicou que a dívida consolidada do município está em torno de R$ 1,7 bilhão, enquanto a dívida líquida está em -28,4% do limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, cujo teto máximo é de 120%. Segundo Puppi, isso indica que Curitiba tem muito mais recursos em caixa do que dívidas, uma condição de boa liquidez.
As operações de crédito envolvem contratos internacionais com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Agência Francesa e Banco dos BRICS (NDB), além de financiamentos internos, como IPMC e Caixa Econômica Federal. O secretário ainda manifestou críticas a tributos como o Pasep, apontando sua cobrança como uma “aberração jurídica” e situação a ser revisada para melhorar a gestão fiscal.
Saúde e Educação mantêm investimentos acima dos mínimos constitucionais e SUS sofre redução nos repasses
O Município cumpriu os mínimos constitucionais de aplicação em Saúde, com 21,20% do orçamento, e Educação, com 25,7%, ambos acima dos patamares legais. No entanto, uma queda de 5,14% nos repasses do SUS gerou preocupação na Secretaria de Finanças, considerando que os recursos liberados giram em torno de R$ 1,6 bilhão, impactando diretamente as políticas públicas locais.
Além disso, houve redução de 1% no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), enquanto outros repasses federais e estaduais tiveram crescimento real. A Secretaria segue investigando os efeitos dessas variações para que os serviços públicos municipais mantenham qualidade e continuidade.





