Duas décadas após um dos crimes que mais marcaram a Região Metropolitana de Curitiba, o advogado Claudio Dalledone publicou um vídeo relembrando sua atuação na defesa de quatro integrantes da comunidade cigana acusados pela morte da menina Giovanna dos Reis Costa, de 9 anos, em 2006. A manifestação ocorre no mesmo dia em que a Polícia Civil do Paraná anunciou a prisão preventiva de um novo suspeito pelo crime, em uma fase recente da investigação.
No vídeo divulgado nas redes sociais, Dalledone afirma que assumiu a defesa de membros das famílias Petrovich e Michel após ser indicado pelo jurista René Ariel Dotti. À época, Pero Petrovich, Vera Petrovich, Camila Michel e Renato Michel foram acusados de sequestrar, matar e ocultar o corpo da criança. Segundo o advogado, o caso gerou forte comoção popular e pressão social, incluindo a disseminação de versões que associavam o crime a um suposto ritual, o que ele classificou como infundado.
Dalledone relembra que, durante as primeiras audiências, houve tensão em frente ao fórum de Campina Grande do Sul, onde os acusados chegaram a correr risco de linchamento. Ele sustenta que a defesa resultou na absolvição dos quatro ciganos e afirma que, ao longo dos anos, continuou acompanhando o caso na busca pela identificação do verdadeiro responsável. O advogado também declarou que hoje representa a família de Giovanna e que pretende atuar para a condenação do suspeito recentemente preso.
Na manhã desta quinta-feira (19), a Polícia Civil do Paraná prendeu, em Londrina, um homem de 55 anos investigado por envolvimento na morte da criança. O crime ocorreu em 2006, em Quatro Barras. Giovanna desapareceu enquanto vendia rifas da escola no bairro onde morava e foi encontrada dois dias depois, em uma área de matagal, dentro de um saco plástico, com as mãos amarradas e sem roupas. O laudo de necropsia apontou morte por esganadura e indicou sinais de violência sexual.
O inquérito havia sido arquivado anos atrás, mas foi reaberto após a identificação de novas informações consideradas relevantes pela equipe policial. O suspeito é investigado por homicídio qualificado, estupro de vulnerável e ocultação de cadáver. A Justiça autorizou a prisão preventiva, e a apuração segue em andamento.
A nova fase do caso traz desdobramentos para um crime que gerou grande repercussão no Paraná e impactou tanto a família da vítima quanto os acusados inicialmente. Com a reabertura das investigações e a prisão do suspeito, a expectativa agora recai sobre os próximos passos do processo judicial e o esclarecimento definitivo dos fatos ocorridos há 20 anos.





