Cigarro ilegal já domina mais de 60% do mercado no Paraná, aponta pesquisa

Foto: PRF

Mais de seis em cada dez cigarros consumidos no Paraná têm origem ilegal, segundo dados da pesquisa Ipsos Ipec divulgada pelo Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade em 2025. O levantamento mostra que 63% dos produtos comercializados no estado são contrabandeados, o maior índice registrado nos últimos quatro anos.

O percentual coloca o Paraná muito acima da média nacional, que ficou em 31%. De acordo com o estudo, o avanço do mercado ilegal está diretamente ligado à atuação de organizações criminosas, que movimentaram cerca de R$ 1,8 bilhão com a venda de cigarros contrabandeados no estado ao longo do ano. Além disso, a sonegação de impostos, especialmente do ICMS, gerou um prejuízo estimado em R$ 660 milhões aos cofres públicos.

A principal porta de entrada desses produtos é a fronteira com o Paraguai. A diferença de tributação entre os dois países é apontada como um dos principais fatores que impulsionam o contrabando. Enquanto no Brasil os impostos sobre o cigarro variam entre 70% e 90%, no Paraguai a carga tributária média fica abaixo de 15%, tornando o produto ilegal mais barato e competitivo no mercado.

O estudo também relaciona o crescimento do comércio ilegal a outros tipos de crime. Segundo os dados, cada aumento de um ponto percentual na participação de cigarros contrabandeados está associado, em média, a 239 homicídios por ano, além de 892 ocorrências de tráfico de drogas e 629 apreensões de armas de fogo.

Os números reforçam o impacto do contrabando não apenas na economia, mas também na segurança pública, ao evidenciar a ligação entre o mercado ilegal e o fortalecimento de organizações criminosas no país.

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