Especialistas brasileiros e americanos debatem aumento de tornados e estratégias para enfrentar mudanças climáticas no Dia Meteorológico Mundial
No Dia Meteorológico Mundial, celebrado em 23 de março, o Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) apresentou uma carta com propostas de ações para os desafios impostos pelas mudanças climáticas e o aumento dos eventos extremos no Brasil.
O documento reúne a visão de diretores do maior centro de pesquisa de tempestades severas do mundo, pesquisadores brasileiros, entre eles o maior especialista em tornados do país, e integrantes da Defesa Civil de três estados. A iniciativa visa estimular a criação de políticas públicas baseadas em evidências científicas para fortalecer a prevenção e a resposta aos desastres.
Conforme informação divulgada pelo Simepar, o seminário internacional que resultou na carta contou com a participação do Storm Prediction Center e do National Severe Storms Laboratory da NOAA, dos Estados Unidos, reconhecidos mundialmente pelo monitoramento e previsão de tornados e tempestades severas.
Importância da preparação e da tecnologia na prevenção de desastres
Segundo Paulo de Tarso, diretor-presidente do Simepar, o Brasil precisa criar resiliência para eventos climáticos extremos, desenvolver uma cultura de preparação e investir em tecnologia de ponta com profissionais capacitados para aplicar os melhores métodos de monitoramento e alerta.
O pesquisador Reinaldo Silveira, pós-doutor em Matemática Aplicada e colaborador da Organização Meteorológica Mundial, destacou a relevância da qualidade dos dados meteorológicos para que a sociedade e os órgãos de pesquisa globais possuam informações confiáveis. Ele ressaltou que o Simepar é um centro de excelência e laboratório essencial no estudo e no avanço das observações meteorológicas locais.
Aumento na frequência e registro dos tornados na região Sul
Ernani de Lima Nascimento, maior pesquisador de tornados no Brasil e membro do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), explicou que a região Sul do país apresenta há muito tempo condições atmosféricas que favorecem tempestades formadoras de tornados.
Ele ressaltou que o que se percebe hoje é o aumento da frequência dessas tempestades, em parte por conta da maior facilidade de registro por celulares e redes sociais, e indicou que nos últimos 40 anos houve evidências do crescimento desses eventos. “Temos fortes indícios de que essas condições que já existiam estão ficando mais frequentes”, afirma Nascimento.
Propostas concretas para políticas públicas e integração institucional
A carta elaborada no seminário propõe o fortalecimento da governança com base em evidências, integrada entre instituições e gestores públicos, além do aumento dos investimentos em monitoramento meteorológico e sistemas de alerta precoce.
Também prevê reconhecimento institucional do Simepar e demais centros como fontes oficiais de informação, ações integradas entre meteorologia, defesa civil e planejamento de políticas públicas, combate à desinformação e valorização da ciência e da comunicação qualificada.
Vanessa D’Ávila, diretora executiva do Simepar, enfatizou que é fundamental garantir a qualidade, governança e homogeneidade dos dados meteorológicos para calibrar modelos climáticos e melhorar a previsão futura.
Por fim, o professor Ernani Nascimento ressaltou que o desafio vai além da meteorologia, envolvendo áreas como comunicação, educação e psicologia para formar uma cultura de prevenção. “Acreditamos que as escolas seriam o lugar para começar”, reforçou.



